31 de dezembro de 2006

horror

não sei o que revolta mais.
saber que há mães que espancam as filhas até à morte por estas serem traquinas.
ou saber que há ditadores que levam outros ditadores à morte.
qual dos dois é mais medieval?
e este? não merece castigo?

28 de dezembro de 2006

Can you spot the fake smile?


Aqui as amigas e os amigos podem testar a capacidade para detectar os afamados sorrisos amarelos.
Mais uma cortesia BBC

100 coisas que aprendemos este ano

a bbc, sempre em nome do serviço público, apresenta uma centena de factos e revelações - alguns absolutamente irrelevantes - que marcaram 2006.
entre os melhores estão o 3, o 12, o 60 e o 100.
tudo aqui.


e é verdade. o ovo apareceu primeiro que a galinha.
claro.

só faltava isto

segundo a EFE:
um estudo britânico revela que a actividade física, em particular as tarefas domésticas, contribuem para reduzir o risco de cancro da mama nas mulheres.

"Los investigadores analizaron el efecto de actividades como el trabajo, las tareas domésticas y el ocio en el desarrollo de la
enfermedad.

los investigadores descubrieron que emplear el tiempo de forma regular en las labores del hogar contribuía a reducir sigfinificativamente el riesgo de cáncer en ambos casos.

"las formas moderadas de actividad física, como las tareas domésticas, pueden ser más importantes en la reducción del riesgo de cáncer en las mujeres europeas que modalidades de ejercicio recreativo más intensas pero menos frecuentes".

sinceramente.
já vi provas menos explícitas de machismo.

26 de dezembro de 2006

( )


do natal o que eu gosto é do dia seguinte, em que todos estão com cara de filhós amassada, entorpecidos e a ressacar da festança.
há pouca vontade de mandar trabalhar.
há papel de embrulho para reciclar, cházinho para beber.
há ainda algumas nozes e pinhões à espera de serem cuidadosamente apanhadas com as pontas dos dedos daquele prato bonito da mãe.
conto os dias para que chegue o próximo ano.
todos os anos é assim.
este ano foi maravilhoso, mas já estou farta dele.

22 de dezembro de 2006

tic tac


nunca mais chega 02 de Janeiro.

20 de dezembro de 2006

é aproveitar

parece que o pai natal vai estar na galeria zé dos bois.

A "Ler Devagar" vai saldar o seu stock - mais de 10 mil livros - nas instalações da ZDB até 20 de Janeiro.
Os preços variam entre os 50 cêntimos e os dez euros.
Depois disto, a ler devagar muda-se para a Rua da Rosa.

quem é amigo, quem é?

19 de dezembro de 2006

divertimento com um sinal ortográfico

enquanto as queridas castas estão a cortar a fruta cristalizada em cubinhos e a descascar pinhões, avelãs, amêndoas e afins (quero essas nozes sem pele, einh?) para o bolo-rei, aqui a palhacita deixa um poema visual do genial génio alexandre o´neill:


"desafio um francês a possuir-me
quando estou, por exemplo, em coração"

18 de dezembro de 2006



como as castas estão de certeza entretidas a aprender a fazer bolo-rei (sem brinde) aqui fica o meu bem haja de boas festas e que 2007 tenha boas colheitas.

17 de dezembro de 2006

sunday morning



Sunday morning, praise the dawning
Its just a restless feeling by my side
Early dawning, sunday morning
Its just the wasted years so close behind

Watch out, the worlds behind you
Theres always someone around you who will call
Its nothing at all

Sunday morning and Im falling
Ive got a feeling I dont want to know
Early dawning, sunday morning
Its all the streets you crossed, not so long ago

Watch out, the worlds behind you
Theres always someone around you who will call
Its nothing at all

Watch out, the worlds behind you
Theres always someone around you who will call
Its nothing at all

Sunday morning
Sunday morning
Sunday morning

12 de dezembro de 2006

8 de dezembro de 2006

conjugar os verbos ir e andar no autocarro


duas senhoras pelos cinquenta:
- olá, está boazinha? como é que vai?
- ah, cá vou indo.
silêncio.
- pois... o que é preciso é ir andando.
novo silêncio.

5 de dezembro de 2006

Pelo ar...


hoje o mundo estava todo levantado, rodopiava, abanava-se, tudo - folhas, papéis, pessoas incautas -, era levado como em total ausência de vontade e até o dia se descorou, em cinzas escuros.
Dentro do carro, fumei um cigarro subjugada por este dia que parecia tão tremendamente definitivo, encantada...até ter percebido que o meu alheamento perante o turbilhão exterior acabara por me deixar, e ao carro, completamente encharcados.

Violência infantil

Há dias passei pela minha antiga escola primária e lembrei-me. Foi na primeira classe, numa excursão a umas grutas (devem ser as mesmas grutas a que vocês foram :o)). Lá dentro havia um poço onde se deitavam moedas em troca de um desejo. Aquilo fez muito sucesso entre as garotas. Eu já não me lembro o que desejei, mas deve ter sido uma coisa muito importante.
Pois a Sandra, miúda saída da casca, tirou-me a moeda da mão e pediu ela o desejo. Lembro-me da maneira como olhei para ela em silêncio, estupefacta, então aquilo fazia-se? Pus-lhe a mão na cara e empurrei-a com tanta força que ela caiu para trás e bateu com a cabeça na rocha. Lembro-me de a ver a chorar e a queixar-se com dores mas na altura fiquei dividida entre o "ai que é que eu fiz" e "ela merecia mais". Entretanto, a professora apareceu, viu-a no chão, ouviu as minhas razões e "resolveu" o problema com uma chapada em cada uma.

4 de dezembro de 2006




padres da esquerda:
"eh pá, ouvi dizer que há por aí um blogue de castas. chama-se míldio. já ouviste falar?".
"já, mas estou desolado, pá. parece que há uma casta que está em falta".

padres da direita:
"tu já viste a nossa vida? vamos todos os dias ao blogue e ela não aparece?"
"valha-me deus, já fiz tantas promessas para ela aparecer. só falta deixar de beber".

3 de dezembro de 2006

Nozolino


e assim se passou um fim de semana

2 de dezembro de 2006

Canção do Garrafão

Conheci-te
E a medo comecei a beber-te
E no fim
Já não mais me podia esquecer

Vamos beber até à última gota do garrafão
Se bufarmos estoiraremos com o balão

Vamos beber
Que não sobre nem uma gota p'ra lembrar
Essa piela que todos vamos tomar
Com a ajuda do garrafão

Ai ó meu divino São Martinho
Que estais lá no alto da serra
Dai-nos luz e claridade
Para ir-mos todos p'ra taberna

Era o vinho, meu Deus
Era o vinho
Era o vinho que eu mais adorava
Só por morte meu Deus
Só por morte
Só por morte eu o vinho deixava...


Olá a todas!

30 de novembro de 2006

Diabos ou santinhos?

Que tal testarem o vosso nível de "deboche" aqui?

O gato abre a janela e vôa toda a noite


Na impossibilidade de abrir a janela e voar a noite toda, o meu gato mia do outro lado da porta e eu tenho que decidir se vou dormir ou se vou para a sala dar-lhe atenção. Até o gato quer colo! E eu lembro-me do Stig Dagerman: “a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer”. Por isso, mais vale ir dormir.






O quadro é do João Vieira e pertence a uma colecção privada qualquer, mas podem sempre tentar comprá-lo e surpreender-me este Natal.

29 de novembro de 2006

importa-se de repetir?



deixo já aqui expresso que este não é um post facilitista.
ontem recebi fotos maravilhosas sobre o meu país. todas de um país um bocado parolo.
mas esta não me saía da cabeça.
é tão ridícula, tão kitsch que não consigo vê-la como um acto tolo de algum engraçadinho.
é quase uma foto artística sobre portugal. uma instalação de arte.
imagino-a num formato 2 x 3 metros numa galeria.
ou mesmo em três dimensões, um galito empalhado ou de barro com uma trela ligada a uma casota de cão.
uma coisa ao jeito da joana vasconcelos, que cobriu cãezinhos de loiça em renda, fez um lustre gigante com tampões e encheu uma trotineta com nossas senhoras florescentes.

28 de novembro de 2006

hoje estou assim



com flowers in my mind
mais aqui.

26 de novembro de 2006

+



ama como a estrada começa.





um poema de cesariny que a touriga me apresentou

22 de novembro de 2006

Que bonito!

Não dizia palavras,
Aproximava somente um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.

Entre os ossos a angústia abre caminho,
Ergue-se pelas veias
Até abrir na pele
Jorros de sonho
Feitos carne interrogando as nuvens.

Um contacto ao passar,
Um fugidio olhar no meio das sombras,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais em desejo.
Embora seja só uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.

Luis Cernuda

uh la la

21 de novembro de 2006

oh beckett


um post para a touriga nacional, a ausente das ausentes do míldio.
ausente, mas presente.

Benditas fotocópias

A inspecção-geral das actividades culturais andou à caça de fotocópias ilegais nas universidades e encontrou milhares de livros copiados, sobretudo livros técnicos das áreas de Direito, Medicina e Enfermagem.
Acho que só lá para o terceiro ano é que me dei conta que fotocopiar livros inteiros constituía crime. E foi por isso que deixei de ir à reprografia? Não. A biblioteca tinha os livros necessários mas quase sempre requisitados. A livraria tinha-os disponíveis, mas a bolsa que recebia (de 17 mil escudos em 1993) chegava para o passe, almoço, jornais e ...fotocópias. Acho que durante os quatro anos do curso comprei menos de dez livros e esses dez livros devem ter custado umas dezenas de contos. Havia que gerir a situação.
Sobre esta realidade, imagino que idêntica à de milhares de estudantes mais de dez anos depois, a inspectora contactada pelo JN diz o seguinte:
"Os parques das faculdades estão cheios de automóveis". Só à estalada.

20 de novembro de 2006

r t p = raios te partam

fico doente com a programação da rtp.
eu sei que não devia deixar que estas coisas frívolas e estupidificantes me deixassem influenciar, mas é mais forte do que eu.
como é que é possível que aquelas cabeçinhas, pagas para pensar boa televisão, dedicam mais de duas horas a um programa da treta como "prós e contras", que muitas vezes não tem nem prós nem contras, e programam o cinema português para a madrugada?
pelo que vi da programação, parece que esta semana a rtp irá exibir alguns filmes do fonseca e costa, a propósito da estreia no cinema de "viúva rica solteira não fica".
ontem passou "kilas, o mau da fita", que é raríssimo passar na tv e, segundo consta, é dificil de arranjar uma cópia para exibição.
hoje passa "sem sombra de pecado".
passa às 01:45, porra.
isto é hora de passar cinema português?!
a mesma rtp (já nem falo na sic e na tvi que põe óptimas séries também ao começo da madrugada) programou para quarta-feira uma nova série de ficção - anatomia de grey - à mesma hora em que decorre na 2: a viciante série 24.
a rtp é concorrente da 2:?
serão cegos? "bomitam monelhos de cavelos"?

pronto, sinto-me um nada mais leve por ter partilhado isto.

só para lembrar

que a raparigada aqui do blogue não se alimenta só de vinho vindo do baguinho.

"Deve-se estar sempre embriagado.
Nada mais importa.
Para que o horrível fardo do tempo não vos pese sobre os ombros e vos faça pender para a terra, deveis embriagar-vos sem cessar.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha.
Mas embriagai-vos!
E se um dia, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma valeta, na solidão baça do vosso quarto, acordardes, já sóbrios, perguntai ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai:
"Que horas são?"
E o vento, a onda, a estrela, a ave, o relógio, responder-vos-ão:
"São horas de vos embriagardes!".
Para que não sejais uns escravos martirizados do tempo, embriagai-vos sem cessar.
De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha".

charles baudelaire

pára tudo

segundo o ine, é esperada uma quebra da graduação alcoólica da colheita deste ano, porque as vindimas foram feitas com condições climatéricas adversas.
no entanto, as previsões continuam a apontar para uma produção de qualidade, de 6.786 mil hectolitros, abaixo dos 6.996 mil da campanha anterior.

17 de novembro de 2006

Faz-me confusão

Que para defender a despenalização do aborto até às dez semanas entre os partidários do "não" e ser pelo menos ouvida tenha que ressalvar primeiro uma série de coisas:
1- Dizer que sou contra o aborto
2 - Jurar que nunca fiz
3- Jurar que nunca faria
4 - Justificar que apenas defendo o direito de escolher
5 - Dizer que percebo o "não"
6 - Ser "moderada"

Se não fizer estas ressalvas todas, passo a ser:

1 - Defensora do assassínio de inocentes
2 - Suspeita de ter assassinado
3 - Suspeita de possível assassínio futuro
4 - Acusada de querer "liberalizar" o assassínio
5 - Para sempre pervertida que vai parar ao Inferno
6 - Radical

Ora, eu não me apetece ressalvar coisa nenhuma porque defendo que:

1- Ninguém, a não ser a mulher, tem absolutamente nada a ver com a decisão última de abortar
2 - Ninguém, a não ser eu, tem nada a ver se abortei ou não
3 - Ninguém, a não ser eu, tem nada a ver se abortaria ou não
4 - Dizer que defendo o direito de escolher é redundante
5 - Dizer que "percebo" quem defende o "não" é indiferente
6 - Não há direitos "radicais" e direitos "moderados", do que se trata é o reconhecimento legal de um direito

Por isso, acho que vou imprimir isto e andar sempre com uma cópia no bolso até ao dia do referendo. Da próxima vez que um partidário do "não" quiser discutir o assunto comigo, vai ter que ler o papelito primeiro. É que sinceramente, não há paciência.

16 de novembro de 2006

adoro este t i p o


como estou numa de revelar gostos pessoais, aqui vai:
adoro este gajo.
o da esquerda, claro.
parece que vai dar a voz ao "pálido", um ex-rato albino de laboratório que entra em "por água abaixo".
o filme de animação é uma parceria entre a dreamworks e a aardman (a do wallace and gromit).

e vai daí, gosto do bill nighy, mesmo com tentáculos.
agora, porque é que eu gosto dele, isso já não interessa nada, claro.

14 de novembro de 2006

a estalarem cinzentas na brasa

apeteceu-me este título porque as castanhas rimam com carlos do carmo.
mas também podia ser "um flash do quotidiano".
rapaz bem posto, óculos escuros, ténis da moda, vende quentes e boas à porta do colombo num bancada como todas as outras e debaixo de um guarda-sol.
tudo normal ate aqui.
mas,
a banca das castanhas, toda vermelha pai-natal, diz: "momentos vodafone".
até o papel de enrolar em canudo é vermelho e diz "vodafone".
até a camisola do rapaz todo bem posto é vermelha e diz "vodafone".
será que pela compra das castanhas tenhos chamadas grátis?
hum?
vi isto, reparem bem, no dia em que a vodafone anuncia que:
nos primeiros seis meses deste ano, a empresa conseguiu 305 mil novos clientes, atingindo uma quota de mercado de novos clientes de 52 por cento.

now

5 de novembro de 2006

Dead Combo-Mujitos Summer (Live)

adoro estes tipos

24 de outubro de 2006

i´m speechless

vejam ISTO, senhores e senhoras.

22 de outubro de 2006

importa-se de repetir?

parece que agora chamar cromo a alguém é o mesmo que o insultar de filho da puta ou cabrão.
estamos bem, estamos. tss, tss.

19 de outubro de 2006

É um facto científico que os neurónios se vão em grandes quantidades a cada dia que passa. Querem ver?

Fui ao teatro para me cultivar e posso dizer que valeu a pena.
O actor tinha uns pés lindíssimos. Uns pés de encher o olho. É impressão minha ou os homens raramente apresentam uns pés decentes? Houve outra coisa que me tocou naquela peça. Lá pelo meio o actor começou a dizer um poema do Beckett. Em inglês. E posso garantir que a palavra “open” nunca tinha sido assim proferida. Oppeen: o O é um murmúrio suave, o P é um sopro de cinza quente, o E as asas de uma borboleta colorida, o N…a vibração das cordas de uma harpa tocada num anfiteatro vazio.
Eu gosto muito de ir ao teatro. O teatro é uma coisa muito bonita. Todos os actores (the male ones) com pés bonitos deviam subir descalços ao palco. E todos deviam dizer a palavra “open” daquela maneira.

18 de outubro de 2006

Primeiros dias de Outono em Sintra


"Cortesia" Manuel de Almeida, Lusa

A publicidade que fazia falta

Com quem saíste, com quem bebeste, com quem falaste, com quem casaste, a quem mentiste, a quem roubaste, com quem sonhaste, com quem sofreste, quanto recebeste, a quem lixaste, com quem f*****, com quem gostaste? Estas e outras perguntas engraçadas disponíveis a partir de agora no seu telemóvel. Um serviço TNT, para respostas explosivas, para pessoas verdadeiras.

13 de outubro de 2006

o mais pequeno conto de fadas do mundo

Era uma vez um rapaz que perguntou a uma linda rapariga:
- Queres casar comigo?
Ela respondeu:
- Não!
E o rapaz viveu feliz para sempre, foi pescar, jogou futebol, papou resmas de gajas, visitou muitos lugares, estava sempre a sorrir e de bom humor, nunca lhe faltava dinheiro, bebia cerveja com os amigos sempre que estava com vontade e ninguém mandava nele.
A rapariga teve celulite, varizes, os peitos caíram e ficou sozinha.

fim?
alguém se chega a frente para acrescentar alguma coisa?

12 de outubro de 2006

"Sou portuguesa"

"Sou portuguesa", informa a mendiga num pequeno cartaz colocado estrategicamente junto do prato das esmolas. Quem desce as escadas do metropolitano do Marquês de Pombal (do lado da Alexandre Herculano) não pode deixar de estranhar esse pormenor de inovador marketing mendigueiro. Estou a imaginar a velhinha em pleno "brainstorming": "mas como é que eu saco mais umas àqueles burgueses?" Eu percebo. Com tanta concorrência pedincheira na cidade, é preciso adaptar a mensagem ao público alvo e com a crise que aí anda impõe-se alguma criatividade. Mas, no meu caso, os trocos não duram muito tempo nos bolsos. Sou, por assim dizer, o alvo ideal dos típicos mendigos da nossa praça. Não complico, não peço explicações. Um olhar de fome, verdadeiro ou fingido, um "ajude-me por favor" ou até uma simples mão estendida bastam. Por isso, não sei o que hei-de fazer em relação àquela mendiga que diz que é portuguesa. Será que é a minha moeda que ela quer? O que é que quer dizer com isso?!
Depois de umas noites mal dormidas a pensar neste assunto importantíssimo, cheguei a uma hipótese explicativa. "Então não querem lá ver a velha xenófoba a apelar ao racismo portuga?!" E decidi que do meu bolso não levava mais nada. Porque eu não sou esquisita mas tenho alguns limites. Só dias depois percebi o real alcance daquele "sou portuguesa" e fiquei com tanta pena da velha que só não chorei porque já não tinha trocos para os lenços de papel (foram todos direitinhos para o prato da mendiga). Já não lhe bastava ser pobre e velha, tinha que ter o azar supremo de ser pobre e velha e ter nascido em Portugal. Não há coração duro que resista, tem toda a minha solidariedade.

10 de outubro de 2006

um flash do subúrbio



uma procissão de velas passou na rua onde moro.
não tocaram os sinos nem houve rosmaninho e alecrim pelo chão.
mas a comandar a procissão ia um carro com um megafone ligado a umas colunas a debitar um pai-nosso-que-estais-no-céu.

8 de outubro de 2006

Sonhos molhados

O microfone a aparecer é que era escusado. Mas fora isso, tudo pode acontecer no filme “A senhora da água” que não parece estranho ou forçado. Logo ao início, torci o nariz. Então o gajo (o healer) mete-se dentro de água e vai por ali fora buscar o remédio sem lhe faltar o ar?! Ná... Mas, às tantas, o filme embala-me numa história de encantar e o céu podia cair-lhes em cima que eu já ia achar normal. Ou seja, eu sei que não pode ser, que na vida real não é assim, mas gosto de pensar que é ou que pode ser. E depois lembrei-me que era assim que me sentia quando ouvia as histórias de embalar ou de encantar contadas pelos meus mais velhos. A história da senhora da água (foi impressão minha ou ela começou por ser ruiva e no fim era loura?) acabou por ser acessória à verdadeira história de encantar do filme: o percurso do grupo de vizinhos que deu corpo ao sonho nocturno do realizador. E, como na maioria dos sonhos verdadeiros, lá estão as coisas do quotidiano à mistura com a satisfação de desejos inconfessáveis. Quem nunca teve vontade de deixar um irritante crítico de cinema à mercê de uma criatura raivosa de dentes aguçados que atire a primeira pedra!

5 de outubro de 2006

world press photo

porque este ano não vou ao ccb ver a world press photo, aqui ficam três fotos um bocadinho menos chocantes.

a primeira é de Shayne Robinson.
A young dancer exercises at the barre during a ballet class in Alexandra township outside Johannesburg, South Africa.

a segunda é de Asa Sjostrom.
Sixteen-year-old dance students go through their exercises at the Theater of Opera and Ballet School in Chisinau, Moldova. Many young people see ballet as a means to wealth and foreign travel.

a terceira é de Michael Wirtz.
An elderly woman takes a closer look at a ‘Mae West Lips Sofa' and a ‘Lobster Telephone' at the Salvador Dalí exhibition at the Philadelphia Museum of Art in the USA in February.

parece que as fotos estão todas aqui.

3 de outubro de 2006

querido vítor sobral

eu já te tinha nas minhas graças, mas agora estás nos píncaros.
Segundo a imprensa de hoje, foste a espanha e ganhaste um concurso mundial de receitas de arroz com um arroz de cabidela, feito com as galinhas da tua mãe e polvilhado com carqueja.
Até tenho uma lágrima a querer aparecer e a boca a secar-me de desejo.
Que saudades do arroz de cabidela da minha avó feito numa panela de ferro de três pernas e num lume de lenha.
parece que lhe estou a sentir o cheiro.
Um avé para ti querido sobral.

beat da caixa de esmolas

há anos que não o via.
lembro-me perfeitamente dos olhos baços e cobertos por um manto branco, do corpo magro e curvado. mas não me recordo do que ele fazia para conquistar uns trocos.
voltei a vê-lo esta semana e lá estavam os mesmo olhos baços.
mas o que me chamou a atenção - a mim e a toda a gente que estava na carruagem - foi o ritmo com que ele batia com um pedaço de metal na caixa de esmolas de madeira e no pau de vassoura que servia de guia.
pum-tchi-ca-pum-pum-ca-pum-tchi-ca-pum.
e de tantas vezes dizer a mesma frase, aquilo já saía em jeito de rap. era qualquer coisa do género:
há algum cavalheiro ou senhora que tenha a possibilidade de me auxiliar.
pum-tchi-ca-pum-pum-pum-tchi-ca-pum-pum-pum.

1 de outubro de 2006

ai catarina...

com o ar a encher-se do cheiro a água fria, uma memória gustativa e olfativa a guardar no baú do Verão, ao pé dos búzios e da pedra bonita daquela praia: Catarina - Branco, da península de Setúbal.
+

29 de setembro de 2006

algo completamente diferente



obedecendo aos desejos de uma casta nobre, sugiro para domingo, não uma sangria (de champanhe, já agora), mas um cozido à portuguesa.
ainda por cima no D. Maria II, o que é mais preverso.
ei-los que actuam. ensemble jer.
para rir, mas com jeitinho.

A Touriga Nacional pediu-me gentilmente para dizer aqui, em seu nome, que estas chalaças com o vinho, a vinha, o míldio e assim "já foi chão que deu uvas".
É preciso esclarecer que a casta nobre transmitiu-me esta apreciação depois de beber, com avidez, o último gole de uma litrada de sangria que por acaso estava muito boa. Foi por isso que não se terá dado conta da chalaça de gosto duvidoso em que ela prória estava a incorrer. Por esse facto, pedimos desculpas aos nossos telescpectadores.

27 de setembro de 2006

Coisas da vinha

O século xix foi pródigo em figuras empenhadas em acabar com a filoxera que tão mal faz às nossas vinhas. Quis o destino que eu, Trincadeira, casta de cachos cónicos, fosse encontrar alojamento numa rua de Lisboa com o nome de um dos mais eminentes agrónomos portugueses do século dos reposteiros.
João Inácio Ferreira Lapa foi, com Bernardino Lima, um esforçado super-herói na luta contra a malfadada filoxera, a bem do bom vinho e da nação. E agora que penso nesta coincidência de coisas da vida, sinto-me reconfortada por saber que a minha casa repousa numa rua que prestigia esse maior nas coisas da vinha.

tchim tchim

eh lá, que isto de nos espreitarmos umas às outras já nos fez passar a barreira das cem visitas.
venham mais cem e abrimos um favaios fresquinho, com mil-diabos.

26 de setembro de 2006

o sr. martell...

...uma indirecta à vinho-a-martelo.

consta que no século xix, um tal senhor martell andou pelas vinhas portuguesas a plantar e a enxertar videiras depois destas terem sido fulminadas pela filoxera. (podia ter sido o míldio, calhava bem para a história).

o milagre do sr martell foi tal, que a produção de vinho aumentou e muito, embora a qualidade não fosse nem para a boca de um escanção.

o povo, que é esperto, começou a falar em vinhos feitos "à lá Martell".


a história, que não é de la fontaine, porque a filoxera - ainda que sendo bicho - não fala, está contada na net pelo excelso Vasco d´Avillez, com apóstrofo.

25 de setembro de 2006

mais um para o caixão

doi-me até ao último caracter da minha alma plumitiva, mas tenho que o dizer:
o público desiludiu-me.
ontem comprei o jornal para desfrutar da pública, que adoro, e quando estava eu a ganhar balanço na leitura da entrevista a mário feliciano aparece-me uma mensagem no final da página:
para ler a entrevista completa vá ao site do público?!
que merda é esta? pago duas vezes para aceder a informação?

23 de setembro de 2006

querido outono



de ti eu quero pouca chuva, dias solarengos a pedirem um agasalho, brisa fresca ao final do dia, muitas castanhas e nozes, romãs carnudas, doce de marmelo e jeropiga (ou geropiga?) da boa.




a ilustração é da caríssima camilla.

22 de setembro de 2006

um por dia não sabe o bem que lhe fazia

agora que setembro está a acabar e o outono a começar, eis um provérbio a raiar o filosófico.

agosto tem a culpa e setembro leva a fruta.

vamos sulfatar as televisões

segundo a marktest, nos primeiros sete meses do ano, RTP1, 2:, SIC e TVI emitiram mais de 88 horas de informação sobre partidos políticos nos seus programas regulares de informação.

Entre Janeiro e Julho de 2006, os quatro canais de sinal aberto emitiram 2373 notícias sobre partidos políticos nos seus serviços informativos regulares.

Feslizmente, digo eu, com mil-diabos, que este valor corresponde a 5.0% do total de trabalhos jornalísticos apresentados neste período.

Este tema foi mais frequente nos ecrãs da RTP1, que garantiu 33.7% do total destas notícias e 33.3% da sua duração, ao emitir 800 trabalhos de mais de 29 horas.

21 de setembro de 2006

Post muito sério sobre a igualdade de género

Quando se quer insultar uma mulher chama-se-lhe "puta". Quando se quer insultar um homem chama-se-lhe ou "filho da puta" ou "cabrão", ou seja, a culpa nunca é dele, é sempre de uma mulher!
Enquanto isto for assim, nunca há-de haver igualdade...

pensamentos ociosos

Porque é que alguém se há-de dar ao trabalho de dizer algum dia na sua vida que "o futuro são as crianças"? Não me lembro de nada mais redundante...apetece fazer uma careta tipo "duh!?"

Há que lutar contra o míldio já!

"O míldio da vinha, Plasmopara viticola, é uma doença presente em por todas as regiões vitícolas a nível mundial, e é um dos principais obstáculos à produção vitícola. Frequentemente, esta doença mostra aos viticultores que a ausência de tratamentos eficazes, geralmente de carácter preventivo, pode provocar graves prejuízos, visíveis à vindima e na planta inteira", de acordo com uma pessoa que percebe muito disto.

uma verdade verdadeira

até ao lavar dos cestos é vindima.

míldio no jornalismo

alguém ficou frustrado sobre o furacão que não se cumpriu.
o jornalista.
aquele que ansiava por uma rajada, catástrofe e lençóis de água e lágrimas, apenas teve um ramo seco caído no meio de uma praça.

17 de setembro de 2006

o que será?




será touriga nacional?
será vinho a martelo?
será uva mijona?
será abafadinho?

16 de setembro de 2006

manifesto



Deve-se estar sempre embriagado.
Nada mais importa.
Para que o horrível fardo do tempo não vos pese sobre os ombros e vos faça pender para a terra, deveis embriagar-vos sem cessar.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha.
Mas embriagai-vos!
E se um dia, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma valeta, na solidão baça do vosso quarto, acordardes, já sóbrios, perguntai ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai: "Que horas são?"
E o vento, a onda, a estrela, a ave, o relógio, responder-vos-ão: "São horas de vos embriagardes!".
Para que não sejais uns escravos martirizados do tempo, embriagai-vos sem cessar.
De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha.

charles baudelaire.