31 de janeiro de 2007

encher a alma



o ano ainda agora começou,, mas digo já que o concerto deles no alquimista está entre os melhores.
não há alma que aguente uma música desta que agora nos leva num carro vermelho, reluzente, enorme pela route 66 e de repente nos deixa num degrauzito de escada em alfama, a ouvir um amolador.
há um carlos paredes eléctrico, uma versão de "temptation" de tom waits, com uma pulseira de guizos, uma maraca a bater nas cordas da guitarra e um kazoo.
quem, senão eles, para fazer uma música a partir de um assobio de vasco santana no pátio das cantigas?
pedro gonçalves, desengonçado, num fato à "la padrinho", e tó trips escondido debaixo de uma cartola à frente de um molho de cravos vermelhos e um adufe que ficou por tocar.

parece que vão ao maxime no dia 03 de março, mas, porra, não espalhem a notícia. eih?

26 de janeiro de 2007

isto não é uma fotografia




veneza vista por jacopo robusti aka tintoretto.

25 de janeiro de 2007

Política Sinaleira

Diz-se que fazer política é fazer escolhas, mas por estes tempos noto que fazer política pode ser apenas querer/exigir/defender/desejar e enfim…dar ou não dar um sinal. Mas qual é o impacto real de um sinal? É fácil o jogo do sinal, querem ver?
Político 1 – Ora dê-me lá um sinal homem!
Político 2 – Toma lá o sinal.
Político 1 – Ah bom, agora estou mais descansado.
O problema do sinal é que pode ter demasiados significados:
No dicionário, o sinal pode ser um indício, um símbolo, um atributo, um testemunho, uma comprovação, uma prova, uma característica, uma manifestação, uma exteriorização, uma indicação, uma revelação, um prenúncio, um prognóstico, um anúncio. Pode ser uma fita estreita para marcar um livro e pode ser uma marca. Pode ser um vestígio e até uma pinta na pele.
O sinal é afinal muita coisa mas não é uma escolha, diz o dicionário. Eu, como sou generosa, admito que o sinal possa ser uma escolha envergonhada/tímida/cobardolas. Nos meus dias de cinismo, digo que o sinal é o adiar da escolha.

o cadáver esquisito de quarta-feira





sou uma flecha na fantasia,
mas naquela manhã o cabelo dela
incandesceu.
e voltou tudo ao mesmo.
ela acordou na cama enorme, vazia, espreguiçou-se.
ninguém, para variar. mas hoje vai ser um dia
bom, pensou.
gostava de mandar
em todos. sentia-se o arrepio. calaram-se e ela
disse em segredo: "vais morrer
sozinho".
Estamos sempre sós, sós quando
nos falam, menos sós quando
nos tocam. o cartaz dizia: "há
pipis" e moelas que estavam tão, tão picantes.
tinha a língua a arder e tudo
queimava.
e agora? já não sei o que
dizer...
coisas que os olhos
já antes tinham dito. no entanto
ele fechou a porta e nesse momento escureceu.
"Foda-se", disse, "fundiu-se a
lâmpada".
quem os pariu que os abane...
e que os entenda, que eu já não posso, ou talvez não saiba, ou
talvez seja tarde.
pode-se sempre atrasar o relógio.



bairro alto. madrugada
"see you next wednesday" - camilla engman

23 de janeiro de 2007

Brava Dança

Trailer de cinema do documentário «Brava Dança», de Jorge Pereirinha Pires e José Francisco Pinheiro (Portugal, 2006).
Trailer realizado por António Forte / Droid.

18 de janeiro de 2007



josé bandeira

17 de janeiro de 2007

12 de janeiro de 2007

Da memória do corpo

O Ibérico mostrava-se compreensivo, e mesmo atento, para não assustar a re-estreante.
Deixou-se afagar, cheirou-a, nem se empinou quando ela, desajeitada de muitos anos sem gestos como estes, lhe bateu na garupa com a perna porque não teve a força necessária.
Depois passou-se ao passo, à lembrança de regras, como é que?, ao buraquinho no estômago e cenho franzido quando a memória não era suficientemente rápida, ao susto quando a reacção era inesperada, até que o corpo percebeu que com a cabeça a rasto não ia lado nenhum e a ignorou, tratando ele de recriar todos os gestos e movimentos.
O Ibério já trotava, o corpo equilibrava-se, conduzia, comunicava sozinho, a cabeça percebeu que não era para ali chamada e amuou num canto e só acordou a meio do galope, quando a voz não aguentou mais e desatou a rir alto, num som cheio que enchia os olhos e fazia sorrir o instrutor, que acreditou primeiro do que ela que há gestos que, definitivamente, não se esquecem.

11 de janeiro de 2007

paula, a grande

a minha cidade

ontem, numa curta viagem de metro vi um mupi com uma linda garota numa praia.
a imagem tinha a frase: sorria. está em espanha.
uau. estou em espanha.
ao meu lado uma rapariga lê um livro de paul auster na língua original.
no banco da frente duas asiáticas conversam (julgo eu) sobre o bebé que uma delas irá parir.
no banco ao lado e por toda a carruagem várias áfricas.
ainda tenho tempo de ver um indiano a sair no marquês.
parece que as castas jejuam.
abstinência total.
nem mais uma gota de vinho.

8 de janeiro de 2007

boa vida

há tipos com sorte.
só eu é que não participo nestas coisas.
a comissão de honra das sete maravilhas portuguesas vai andar pelo país a promover os 21 locais candidatos.
ver de perto os 21 monumentos e sítios mais bonitos do meu país e ainda comer e beber do melhor de cada região...
estou cheia de inveja.
queria esses 18 fins-de-semana para mim.
deve ser uma canseira. tss.

3 de janeiro de 2007

#&%!*

ainda a ressacar da malvadez deste mundo, não deixo de rir (ou chorar?) da perversidade da morte que saddam teve.
a morte teve requintes medievais, mas foi filmada com a melhor tecnologia dos telemóveis, acessível às altas patentes militares iraquianas.
são muitos séculos de distância entre os dois actos, o de matar e o de filmar.
não basta o horror de presenciar uma morte. é preciso filmá-la e divulgá-la.
está tudo no youtube.
e os púdicos de londres e da onu já vieram dizer que não se devia mostrar. o que não passar na tv (e agora no youtube) não existe.
medieval, claro.

1 de janeiro de 2007