27 de junho de 2007

26 de junho de 2007

b, de burgesso



nem 24 horas passaram depois da abertura e o homem primitivo já fez asneiras.
e a arte sem ter culpa nenhuma, coitadinha.

stoned



tão pequeninos que eles parecem, mas, caramba, foram incansáveis e deram uma lição de bom rock'n'roll aos que foram ontem a alvalade. o melhor momento da noite foi a entrada de ana moura em palco para cantar "no expectations" com um trinado fadista, apesar de ter estado um bocado desafinada. há uma foto a circular da noitada de fados que ela deu aos stones numa casa de fados em lisboa. o ar de keith richards é tãaaao janado, meu deus. sem falar do bigode à cantinflas...








20 de junho de 2007

Ele há cortes para todos os gostos

"É sentar freguês"...

esta foi tirada em silves. está um bocado esbranquiçada, mas dá para perceber que ali o corte deve ser fino. o senhor que está sentado, presumo que seja o barbeiro, espera que alguém se sente naquela cadeira.

gosto particularmente do pormenor da toalha que está no braço da cadeira. dá um ar de azáfama à barbearia.

A arte do graffiti numa interpretação livre em casa térrea alentejana

Explicação da vizinha do artista, perante a nossa admiração pela obra:
"Olhe, é maluco. Uns dias ele acorda bem e limpa isso tudo. Uns dias acorda mal e põe essas letras e essas coisas todas tudo outra vez".


19 de junho de 2007

Café Lourenço

De passagem por uma aldeia chamada Taliscas, a caminho de Santa Clara, Baixo alentejo, surge o Café Lourenço. Lá dentro, a dona vem sentar-se connosco e em dois minutos ficámos a saber que tem uma irmã no Dafundo, Algés. Que os sobrinhos, quando vêm de férias, não vão a Taliscas e preferem ficar no "prédio" que a irmã comprou em Vila Nova de Milfontes. Mas não há tristezas no rosto ou nas falas desta mulher. Despachada, curiosa, elogia a Albufeira de Santa Clara, que terá "pra mais de três quilómetros de largura", e diz que tem pena que hoje "aquilo já não seja tão florido e arranjadinho como dantes". A mim, bastou-me o arranjo das flores em vasos a toda a largura do Café.

não sou fã de tudo o que ele faz, mas o homem está em grande no último filme de bruno de almeida, "the lovebirds", que estreou na segunda-feira.
o filme, feito em formato digital, não é nada de especial, mas vale pela cena de improviso de fernando lopes frente a um pugilista amedrontado (rogério samora).
fernando lopes deu ali de borla, com uma cigarrilha entre os dedos, uma lição de cinema e de vida.
na estreia no são jorge não cabia nem mais um cabelo. estava lá metade do cinema português e alguma rês política.

18 de junho de 2007

14 de junho de 2007

Nos próximos quinze dias...

os estimados clientes e amigos poderão encontrar-me aqui:

ou aqui...

12 de junho de 2007

ah a praia...


e pensar que no algarve oiço um nadador salvador dizer:
tou f*. só há velhas nesta praia. esta m* vai ser um tédio.

* (hoje não estou virada para os palavrões)

8 de junho de 2007



tinha a corte à sua espera. as senhoras do palácio estavam ululantes e com nervozito à flor da pele. os jornalistas esperavam numa patética fila.
ele chegou com uma hora de atraso. disse três ou quatro frases num tom de quem responde às mesmas perguntas há muitos anos.
a organização esteve ao mais alto nível, sempre a considerar os jornalistas a pior das ralés. alguns de facto até não estavam longe, ao fazerem perguntinhas parvas ao mister de niro sobre se gosta de lisboa.
o mais importante de tudo teve mesmo que ser perguntado logo à entrada do palácio: se o mister de niro tinha estado no restaurante tal e se tinha gostado da comida. nham.





6 de junho de 2007

É regar e pôr ao luar



Já perfuma a minha janela!

31 de maio de 2007

30 de maio de 2007

25 de maio de 2007

farta da cidade


ilustração de rui de sousa

23 de maio de 2007

Inanidades

- ó senhor ministro, o senhor disse isto assim assim quando estava na oposição
- ó senhor deputado, o senhor é que disse assim assado quando estava no Governo
- mas senhor ministro, está aqui a prova de que disse isto assim assim quando estava na oposição.
- mas senhor deputado, o senhor nega que tenha dito assim assado quando estava no Governo?
- ó senhor ministro, explique lá como é que na oposição disse isto e agora diz aquilo?
- ó senhor deputado, porque é que antes disse assim assado e agora diz frito e cozido?
Eles usam e abusam deste diálogos como formas de ataque político e depois metem água porque afinal estão todos no mesmo atoleiro. E o pior é que é muito chato de ver.

21 de maio de 2007

separados à nascença



dois gajos que podiam ser pai e filho.

na RollingStone

18 de maio de 2007

Porque é que António Costa vai ganhar Lx

Porque este slogan "Rigor" escrito em letras vermelhas sobre fundo azul claro...




Remete o subconsciente para estas outras letras vermelhas em fundo azul claro...



E por muito que as pessoas gostem de rigor, o que elas querem é vigor

17 de maio de 2007

dois flashes de cannes...

...a partir de lisboa.
1. manoel de oliveira, aquele que é do tempo do cinema mudo e que vai estrear um novo filme em junho, disse que o festival de cannes ainda é muito jovem.
são sessenta anos, mas nada comparado com os seus 98.
2. a efe teve a delicadeza de tirar uma fotografia ao júri na "alfombra roja", como dizem, mas esqueceu-se de uma pessoa.
aquela mão singela que se vê agarrada ao braço do nobel da literatura orhan pamuk é de... maria de medeiros.

15 de maio de 2007

em escuta


esta semana está em escuta, com saudosismos.

14 de maio de 2007

serge godin


este homem é um senhor. vai andar pelo teatro maria matos.


12 de maio de 2007

Velhos sem cuidados nem carinho em 2006 - SCML

Há trinta e dois anos, um empresário português de “vincada personalidade e um especial talento para o comércio e as finanças” deixava em testamento à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa “parte significativa dos seus bens” com a condição de aquela instituição cumprir a seguinte obrigação:
“…atribuir anualmente três prémios monetários, de montante de cincoenta mil escudos (Esc. 50.000$00) cada, às 3 pessoas que, na Nação e na opinião de júri criteriosamente escolhido, mais tenham contribuído, pelo seu esforço, trabalho ou estudos, para:
a) o cuidado e carinho dos velhos desprotegidos;
b) o progresso da medicina na sua aplicação às pessoas idosas;
c) progresso no tratamento das doenças do coração”.

A SCML cumpre esta obrigação desde 1987 e, este ano, será mais uma vez cumprida a entrega do Prémio Nunes Corrêa Verdades Faria - apelidos da mulher do empresário, senhora “de temperamento afectuoso, generoso e sensível, particularmente atenta aos artistas, idosos e desprotegidos”.

Só que, este ano, só serão entregues prémios - cujo valor monetário está actualizado e é hoje de 5 mil euros – pelas duas últimas alíneas.
O anúncio da atribuição dos prémios, publicado hoje no Expresso, refere que “não foi atribuído prémio” previsto na alínea a) “o cuidado e carinho dispensado aos idosos desprotegidos”.

Isto espanta-me e gostava de saber porquê. Será que houve um cataclismo que matou especificamente em Portugal e em 2006 todas as pessoas que prestaram cuidados e carinho aos velhos desprotegidos?!
O habitual é vir a razão da não atribuição de prémios explicitada no próprio anúncio de jornal. Normalmente a razão indicada é o júri ter concluído que as candidaturas não preenchiam os requisitos de qualidade exigidos.
O regulamento do prémio nada diz sobre motivos possíveis da não atribuição. Ora, não tornando públicos esses motivos no momento em que torna públicos os nomes dos outros galardoados, o júri sujeita-se às seguintes considerações:
Fico espantada que o júri escolhido pela SCML entre personalidades de “reconhecido mérito no âmbito da segurança social e da saúde, preferencialmente no domínio da gerontologia e da cardiologia” não tenha conseguido encontrar em 2006 uma única pessoa ou instituição, que, na Nação, como queria o benemérito Enrique Mantero Belard, tenha, pelo seu “esforço, trabalho ou estudos”, contribuído para “o cuidado e carinho aos velhos desprotegidos”.
Porque é isso que a mensagem do anúncio significa em última instância e é isso que é chocante. Que a SCML entenda como algo normal dizer que não houve quem tenha prestado cuidados e carinho aos velhos em Portugal. Eu perceberia que não tivesse sido atribuído o prémio pelo “progresso da medicina na sua aplicação às pessoas idosas”, por exemplo. Haveria imensas razões que poderiam justificar a falta de investigadores nessas áreas em Portugal...
Mas por favor! Que uma instituição que se chama de Misericórdia diga que não encontrou no país alguém que se tenha esforçado a fazer aquilo que ela diz que faz há 508 anos, é bastante engraçado…
Felizmente, o júri escolhido pela Santa Casa da Misericórdia enganou-se redondamente. Haveria muitas pessoas e muitas instituições no país a quem entregar a distinção.
Eu voto nos muitos anónimos que, não sendo personalidades mas apenas pessoas, dão voluntariamente horas dos seus dias a “cuidar e a dar carinho” aos velhos dos outros.

8 de maio de 2007

"Come cenouras, que faz os olhos bonitos"...


- Os nabos são bons, dona Lurdes?, pergunta a velha dos olhos bonitos.
- Ainda ninguém se queixou, responde a merceeira, cansada…
- É o que eu como, nabos e cenouras, tem que ser bons, diz a velha dos olhos bonitos, com um tom azedo e rezingão.
- Não é por comer ramburgas (penso que ela queria dizer hambúrgueres) que eu tenho estes olhos, continua a velha, mudando o tom para o estilo gaiteiro, quando viu o homem entrar na mercearia.
O homem percebeu a deixa e até inchou. A velha dos olhos bonitos podia ser mãe dele, mas depois dos sessenta anos, deve ser indiferente ter 70 ou 80, pensei eu…
- E tem, e tem! Uns olhos bonitos como certas alentejanas têm, ou enganei-me?, respondeu o velhote, de repente mais alto, mais ufano, sorriso malandro, sacudindo com primor e olhar apurado a terra de umas cebolas, antes de as pôr no saco.
- E sou… de Garvão, atalhou a velha, levando a mão ora ao cabelo ora ao peito, toda risinhos…
E eu, abismada, pensei que, se aos 80 anos, esta velha resmungona, comedora de nabos e cenouras, ainda cora, realmente deve ser mesmo verdade que enquanto há vida há esperança.

Nunca mais vem as férias...

no tempo dos gira-discos





amanhã inaugura aqui uma exposição de vinis sobre duas décadas de música portuguesa.
vão lá estar expostos cerca de 200 dos mais importantes vinis editados entre 1960 e 1980.
encontrei na net as capas destes dois vinis que vão estar lá.

4 de maio de 2007

*


um antídoto para o veneno destilado há pouco.
http://bobibook.blogspot.com/
odeio chico-espertos,
gananciosos,
aproveitadores,
lesmas,
cobras,
cabras,
cabrões,
oportunistas,
vaidosos.
e isto só para falar dos da minha profissão.

26 de abril de 2007

25 de abril de 2007


o largo de camões teve relva e banda no 25 de abril!!!

25 de abril de 2007

23 de abril de 2007

oddly enough


para gosta da série "lost" e da "turma da mónica" aqui está uma combinação no mínimo estranha...

duas prisões num só dia

acabo de chegar de uma visita ao estabelecimento prisional de tires.
fiquei deprimida só de olhar para aquelas paredes forradas a azulejo rosa e para os corredores cheios de portinholas para as celas e com algumas reclusas em pose de alerta e a fumar.
fiquei ainda mais deprimida ao ver os filhos delas, por estarem também naquele ambiente sem terem culpa nenhum da merda que as mães fizeram. fui lá por causa do dia do livro, onde se falou da leitura como acto de liberdade. mas as reclusas, atenção, não tinham permissão de falar com ninguém.
depois disso, apanho um táxi e o condutor diz-me que está há cinco anos em portugal, depois de ter estado 19 nos estados unidos.
tem dupla nacionalidade, mantém o passaporte norte-americano que diz que "vale ouro" e diz que não votou bush nas últimas eleições.
um dos trabalhos que teve nos estados unidos foi na prisão de sing sing, no estado de nova iorque, sobre o qual me falou sobretudo da cadeira eléctrica e do cemitério.

Que seca, só falam do Eusébio na rádio

P: (Bocejando e com irritação) Mas que raio, o Eusébio ainda serve para alguma coisa?
R: (Assim meio grogue do sono) Atão não...
P: (Com vontade de dar um pontapé no rádio) Mas para quê, o homem já não joga né?
R: (Bocejando como quem diz calá-te lá) Para as tvs fazerem os planos de corte nas transmissões dos jogos do benfica e da selecção.

19 de abril de 2007

cannes 2007

o festival de cannes cumpre 60 anos e decidiu prestar homenagem aos artistas. hoje foi divulgado o cartaz.
na imagem estão almodovar e penélope cruz, juliette binoche, jane campion, gérard depardieu, bruce willis, samuel l. jackson, wong kar-wai e souleymane cissé.

18 de abril de 2007

volta

apesar da capa horrorosa do novo álbum, eu gosto dela.
é uma casta cool.
por isso fico à espera de novidades.
é que há um espacinho para ela vir cá, entre 18 e 25 de julho.
já que as promotoras estão a delirar este ano com tantos concertos, vamos lá ver se a convidam para uma nova volta.

17 de abril de 2007

13 de abril de 2007

esperem por mim que eu já vou



aimee mann. 25 de julho. coliseu de lisboa.

12 de abril de 2007

Ora vamos lá a isto...



Andava a fazer-me comichão, esta coisa de gostar da Odete Santos sem perceber porquê. É que tenho tantas razões para não gostar dela! Mas eis quando e porquê percebi o motivo de gostar da deputada mais despenteada da Assembleia: Uma noite destas, estava eu refastelada no sofá a comer amêndoas de chocolate enquanto via, embevecida, o Dr. House, quando o meu gato me aparece à frente vindo do nada. Senta-se entre mim e a televisão e olha-me nos olhos longamente. Interrogativo, afirmativo, impositivo, o gato danado deixou-me sem escapatória possível naquele olhar seco de tão quente e tão intenso.
A Odete Santos é assim um bocado como o meu gato. Não é como ele porque ele é perfeito e ela, por muito boa que seja, nunca há-de ser uma gata.
A Odete Santos explica-se a si própria sempre. Põe-se toda em todos os momentos e isso é, afinal, tudo o que eu gostava de conseguir ser.

bjork




o horror, a tragédia. perante esta hipotética capa do novo álbum de bjork.

ainda tenho expectativas em relação a "volta", mas tenho que fechar os olhos.

o miolo do booklet parece melhor, saturado de cores, mas a capa varia, tal como diz o guardian, entre o palhaço do mcdonalds e os palhaços de cindy sherman.

bom, a cantora diz que a maioria das pessoas tem a visão mais desenvolvida do que a audição.

"If they see a certain emotion in the photograph, then they'll understand the music."

ok.


6 de abril de 2007

3 de abril de 2007

um cão é um cão


não resisto a postar esta foto lindíssima.


2 de abril de 2007

Conversas parvinhas, saudades mesquinhas

- Iá, é isso, opa, é qué memo assim, ó espanhol, grita o gordo, e ri-se, ahahahaha, ohohohoho, o que o faz arrotar estrondosamente, o que o faz rir ainda mais, e assim sucessivamente…até que…
- Ehhhhh, pára com isso, é nojento, diz a miúda gira enquanto puxa o decote da blusa em Lycra um nada para cima.
- Mas afinal tu és espanhol ou português?, pergunta a miúda feia.
O centro das atenções era o “Panho”, um português filho de mãe espanhola, que se veio a saber ter acabado de regressar de um mês nos arredores de Madrid, na casa da avó.
O cenário, um café num centro comercial do Saldanha. Livros, cadernos e copos de cola e sumo natural de laranja em cima da mesa.
-Opa, parem com isso, a minha mãe é que é espanhola, eu sou português. Nasci aqui, o meu ídolo é o Camões, não sei nada da História de Espanha e não falo espanhol, responde o interrogado, de rajada.
- Ah ah…ia ia, fiarmiacia ah ah ah, diz o gordo.
- Mas conheces Cervantes?, pergunta a miúda feia, e ri-se.
Pausa de segundos, em que os dois rapazes bebem um golo de Coca-Cola e elas um golo de sumo de laranja.
- Mas conheces Cervantes?, insiste a miúda feia.
– Ia, já ouvi dizer, responde o Panho, ahahaha.
- Eu também conheço, é o que escreveu o Quixote, diz a miúda gira.
A miúda feia pára de rir e diz que o livro se chama “D. Quixote” e não “O Quixote”, mas o Panho ignora-a e responde antes à miúda gira:
- Ia, é o Quixote é, ahahahah.
- Ah, iá. Mas fala lá em espanhol, ahahah, diz o gordo outra vez.
- Deixa lá o Panho, ele não quer, pronto, diz a miúda gira. Afinal, a miúda gira era a miúda do Panho, porque o beija e faz-lhe festas no cabelo.
Isto contado, não tem gracinha nenhuma. Visto também não teve, acreditem. Foi até bastante deprimente. Mas aqui a cena (iá, tás a ver?), o “point” é outro. Os risos e a conversa esquizo de café daqueles quatro serviram como ruído de fundo aos sentimentos mesquinhos com que eu os observava. Primeiro ano de faculdade, livros na mão, despretensiosos e rindo de si próprios, parvinhos.
É verdade que não tenho muitas saudades da maioria do tempo que passei na faculdade, mas às vezes, só às vezes, apetecia-me voltar àqueles tempos de descoberta e de gargalhadas parvas e incontroláveis por tudo e por nada.

31 de março de 2007