Podia armar em snob e tal e diria "ridiculo" com uma pontinha mal-disfarçada de inveja.
Podia armar em intelectual e diria "e um livrinho, não?" enquanto escrevia um artigo de opinião cheio de considerações em que mais ninguem pensou.
Podia puxar ao neo-realismo e diria "ah, com tanta gente a passar fominha e eu que só posso dar meias"
Mas não, o facto de os ministros terem escolhido oferecer pelo Natal um "cheque-prenda" da Fashion Clinic ao Primeiro-Ministro de Portugal deu-me genuina vontade de rir! Mesmo, é genial! ai o nosso rico menino, que bonito que ele é
24 de dezembro de 2008
22 de dezembro de 2008
17 de dezembro de 2008
Crime: Astúcia

Como a coisa não foi violenta, antes caricata e astuciosa, como até a PSP achou que foi, o único dano a declarar é ter menos 60 euros na conta. Dirão vocês, oh deixa lá, mais do que isso rouba-te o banco todos os meses. Sim, é verdade. No entanto, este “furto simples” como o qualifica o nosso Código Penal, é tudo menos simples. Ao ponto de o agente da PSP que me aceitou a queixa dizer em voz alta que a Polícia e a Justiça estão de mãos atadas em casos como este. A culpa, disse ele, é da lei portuguesa, que “dá tantos direitos” aos suspeitos/detidos/arguidos e poucos às vítimas. A coisa passou-se em segundos. No instante em que as notas saíam da caixa multibanco, fui rodeada por duas raparigas que puseram duas pastas pretas à frente dos meus olhos e se piraram no momento seguinte. Registei no cérebro que as folhas por cima das pastas diziam “surdos-mudos”. Lá fugiram, dobraram a esquina comigo atrás delas sem resultados. Atrás daquele ATM um quiosque, a Rua Pascoal de Melo cheia de gente. Depois, na Polícia, depois da queixa, o agente Nica pergunta se eu quero apresentar queixa-crime. Então não quero?! Mas não é crime?! Duh!
Explica-se o chefe Nica: O que se passa é que as moças que me assaltaram foram trazidas para Portugal por “máfias provavelmente de países do Leste, sobretudo da Roménia”. Ganham “uma percentagem mínima” do que roubarem. Não falam português, “são sempre menores de 16 anos muitas vezes menores de 14 anos”, nunca têm documentos, nunca falam e não é porque que sejam surdas-mudas porque não são. Nunca assaltam duas vezes no mesmo sítio, nunca repetem a vítima, nunca são os mesmos a roubar. De acordo com o chefe Nica, quando a investigação chega a algum dos jovens larápios, se são menores, não podem ser identificados pela vítima. Não podem ser detidos. Nunca sabem quem é o “patrão”. Por outro lado, se são apanhadas, quando são soltas “apanham porrada” do patrão. Conclusão do agente Nica: “é impossível chegar às máfias”. Mas, se por uma sorte se chega às máfias, “eles aparecem com advogados de referência nos tribunais” e “ganham tudo, pagam e no outro dia estão cá fora”.
Neste ponto do relato do chefe Nica, já eu estava quase a chorar com pena das miúdas traficadas e de bom grado lhes daria 60 euros sem me queixar. Bastaria que elas próprias, ao invés de se fingirem de surdas-mudas, me contassem esta história da carochinha.
Nisto tudo, o que me revolta mais é isto: a resignação de um jovem agente da PSP, que antes de dar luta já se rendeu. Só a falta de imaginação e de vontade é que pode explicar que um agente da PSP ou qualquer um se refugie em supostos “buracos” na lei portuguesa para baixar os braços. Percebo a perspectiva pragmática da coisa do ponto de vista de um polícia, mas faz-me mesmo confusão que seja tão resignado o discurso de um jovem agente com menos de 30 anos que francamente (e, para ser justa, porque lhe pedi opinião) aconselha as vítimas a calarem a queixa para não se chatearem e porque não vale a pena.
Eu lá pedi desculpa por dar tanto trabalho e por contribuir para o entupimento dos tribunais. É que até o cenário que enquadrou a minha participação era elucidativo: Depois de esperar 40 minutos para ser atendida (apanhei a mudança de turno), reparei num cartaz sobre um curso de polícia: Onde se lia “por nós, muito, entre nós, muito. Pelos outros, tudo”, passou a ler-se, graças à acção expedita da caneta de um insatisfeito agente policial: “por nós, nada, entre nós, nada”. Já estou como o velho Sampas, que gente de lamúria e de braços caídos!
5 de dezembro de 2008
Johnny Cash Hurt
A canção é tão lindaaa e ele canta-a tão bem. Não sabia que a original é dos Nine Inch Nails mas ouvindo uma e outra, a do Cash ganha aos pontos. Gosto da serenidade triste com que ele a canta e que a torna tão sentida tão autêntica.
12 de novembro de 2008
Paulo Bobão, o arrumador anfitrião
Sem querer ofender o arrumador, acho que assenta que nem uma luva o nome que lhe botei, inspirado na Bobone dos manuais de "etiqueta e boas maneiras".
É que estava eu sentada na paragem do autocarro à seca e resolvi espreitar um saco meio aberto de onde vinha um intenso cheiro a castanhas.
"Estaria abandonado? E que será aquilo verde? Uma garrafa? Alguem que se esqueceu? Mas não tem ar disso, está aberto..patati, patata", assim vaguearam os meus pensamentos enquanto esperava pelo 6. No minuto a seguir, aparece-me de rompante este arrumador, que se apresenta:
- Minha senhora, sou o arrumador desta rua, esteja à sua vontade, disse o homem barbudo, cruzando os braços e olhando pra mim, como se estivesse à espera de alguma coisa.
- ?! (cara de espanto)
- São castanhas cozidas, estão muito boas, faz favor de se servir.
- Obrigada, mas eu...(mais espanto e algum, confesso, constrangimento)
- Não faça cerimónia, por amor de deus. Fui buscá-las há pouco e estão ainda quentes. Eu reparei que a senhora lhes sentiu o cheiro. (Aqui, corei de vergonha)
- A senhora com toda a certeza é nova nesta zona, porque é a primeira vez que tenho a honra de a ver. Eu sou o arrumador desta rua, e guardo aqui o meu comer.
(Nisto faz um pequeno e delicado gesto e aponta para o tecto da paragem. Realmente, cabeça no ar que eu sou, não tinha visto o cartaz cuja mensagem, literal, dizia: "Não mexer. Comer do arrumador".

Perante aquela evidência, eu era intrusa em casa alheia e pedi mil desculpas e disse "não reparei, realmente moro aqui há pouco tempo, não sabia" e já me levantava quando:
- Não, não se vá embora por minha causa! Era o que faltava, não se assuste comigo, eu sou só o arrumador desta rua. Por favor, sirva-se das castanhas e fique o tempo que quiser. Olhe, eu tenho que ir arrumar carros e vim aqui só para beber uma pinguinha, mas fique à sua vontade". Tirou a garrafa do saco, e com mais uns salamaleques, o arrumador voltou ao serviço.
Eu ainda estava meio atarantada, porque aquilo me pareceu tudo muito doido, mas continuei à espera do autocarro. Entretanto achei estranho ninguem ir para a paragem e resolvi inspeccionar.
Resultado, trata-se uma paragem antiga, desactivada. Quem lhe dá uso é só mesmo o arrumador da Rua Pascoal de Melo, que ali guarda o seu comer (vide cartaz) durante o dia.
Ora, depois de saber isto, já não posso estranhar a atitude do Paulo Bobão, o arrumador anfitrião.
Quando alguém vai a minha casa, eu também digo para estarem à vontade, para ficarem o tempo que quiserem e para se servirem sem cerimónias!
É que estava eu sentada na paragem do autocarro à seca e resolvi espreitar um saco meio aberto de onde vinha um intenso cheiro a castanhas.
"Estaria abandonado? E que será aquilo verde? Uma garrafa? Alguem que se esqueceu? Mas não tem ar disso, está aberto..patati, patata", assim vaguearam os meus pensamentos enquanto esperava pelo 6. No minuto a seguir, aparece-me de rompante este arrumador, que se apresenta:
- Minha senhora, sou o arrumador desta rua, esteja à sua vontade, disse o homem barbudo, cruzando os braços e olhando pra mim, como se estivesse à espera de alguma coisa.
- ?! (cara de espanto)
- São castanhas cozidas, estão muito boas, faz favor de se servir.
- Obrigada, mas eu...(mais espanto e algum, confesso, constrangimento)
- Não faça cerimónia, por amor de deus. Fui buscá-las há pouco e estão ainda quentes. Eu reparei que a senhora lhes sentiu o cheiro. (Aqui, corei de vergonha)
- A senhora com toda a certeza é nova nesta zona, porque é a primeira vez que tenho a honra de a ver. Eu sou o arrumador desta rua, e guardo aqui o meu comer.
(Nisto faz um pequeno e delicado gesto e aponta para o tecto da paragem. Realmente, cabeça no ar que eu sou, não tinha visto o cartaz cuja mensagem, literal, dizia: "Não mexer. Comer do arrumador".
Perante aquela evidência, eu era intrusa em casa alheia e pedi mil desculpas e disse "não reparei, realmente moro aqui há pouco tempo, não sabia" e já me levantava quando:
- Não, não se vá embora por minha causa! Era o que faltava, não se assuste comigo, eu sou só o arrumador desta rua. Por favor, sirva-se das castanhas e fique o tempo que quiser. Olhe, eu tenho que ir arrumar carros e vim aqui só para beber uma pinguinha, mas fique à sua vontade". Tirou a garrafa do saco, e com mais uns salamaleques, o arrumador voltou ao serviço.
Eu ainda estava meio atarantada, porque aquilo me pareceu tudo muito doido, mas continuei à espera do autocarro. Entretanto achei estranho ninguem ir para a paragem e resolvi inspeccionar.
Resultado, trata-se uma paragem antiga, desactivada. Quem lhe dá uso é só mesmo o arrumador da Rua Pascoal de Melo, que ali guarda o seu comer (vide cartaz) durante o dia.
Ora, depois de saber isto, já não posso estranhar a atitude do Paulo Bobão, o arrumador anfitrião.
Quando alguém vai a minha casa, eu também digo para estarem à vontade, para ficarem o tempo que quiserem e para se servirem sem cerimónias!
Etiquetas:
Cidade,
Crise,
Magusto,
Novas Profissões,
pobres de bolsa e ricos de espírito
10 de outubro de 2008
O BE tá deprê
6 de outubro de 2008
10 de agosto de 2008
Eles lá saberão do que falam
Os chineses não páram de surpreender!
Ontem parece que deslumbraram o planeta e arredores com os fogaréus, funfuns e tlinsplins lá em Pequim. Hoje, esta enigmática frase num restaurante ali para o Estoril:

E o que é que se passa com aquele endereço de e-mail?! www.808707.com ?!?
Ontem parece que deslumbraram o planeta e arredores com os fogaréus, funfuns e tlinsplins lá em Pequim. Hoje, esta enigmática frase num restaurante ali para o Estoril:
E o que é que se passa com aquele endereço de e-mail?! www.808707.com ?!?
24 de junho de 2008
14 de junho de 2008
Gabriella Cilmi 'Sweet About Me'
Pra cantar e dançar de manhã no volume máximo! A voz faz lembrar a Amy mas esta ainda bebe água e deita-se cedo. Também...16 aninhos!
8 de junho de 2008
4 de junho de 2008
serviço público
aos que gastaram 53 euros para ver a amy winehouse e aos que gastaram 60 euros para ver a madonna em setembro - basicamente o preço de um depósito quase atestado - aqui vai uma pérola de serviço público.
onde vou abastecer?
onde vou abastecer?
3 de junho de 2008
24 de maio de 2008
21 de maio de 2008
a tradição mantém-se por cá.
todos já suspeitavam/sabiam que ela vai voltar a portugal - 28 de setembro, lisboa - mas, até ver, ninguém confirma.
à promotora não dá muito jeito que se saiba já, porque há outros carnavais (rir) para promover, mas uma notícia sobre a sexy-bitch-mother-fucker-pré-cinquentona abafa qualquer um.
ei-la entre livros, que o gajedo desta colheita de 1970 e picos é culto e inteligente.
todos já suspeitavam/sabiam que ela vai voltar a portugal - 28 de setembro, lisboa - mas, até ver, ninguém confirma.
à promotora não dá muito jeito que se saiba já, porque há outros carnavais (rir) para promover, mas uma notícia sobre a sexy-bitch-mother-fucker-pré-cinquentona abafa qualquer um.
ei-la entre livros, que o gajedo desta colheita de 1970 e picos é culto e inteligente.
20 de maio de 2008
Uma mercearia típica de Lisboa
Já todos sabem que tenho um fraquinho por aquelas mercearias antigas escondidas num numa rua qualquer de Lisboa. Do chão de pedra ao balcão de madeira escurecida passando pelo relógio por cima da balança de pesos, tudo se conjuga para forrar as histórias que de lá nascem. A mercearia que tem sido alvo dos meus enlevados protestos é a da Gomes Freire, também já se sabe. Recentemente passou por uma “make over” cosmética que garantiu mais higiene sem afectar a sua beleza alfacinha. Mas afinal, percebi há dias, o “very tipical” não tem que se esgotar nos caprichos da merceeira nascida nas beiras especialista em tudo o que tenha a ver com frutaria e hortícolas. Numa rua mais abaixo, a Luciano Cordeiro, apareceu uma mercearia/drogaria cujos donos já aprenderam quatro palavras em português: “sim”, “obrigada”, “doces” e “frescos”. É o que chega. É um casal jovem que atende ao balcão. Os dois de pele morena e cabelos escuros, ela, mal-encarada apesar dos seus esvoaçantes vestidos indianos, ele com um permanente sorriso e esforçando-se por aprender mais uma palavra: “manga, si ah?”. Da primeira vez que fui lá ver fiquei mal impressionada. Sim, era tudo a metade do preço da mercearia da Gomes Freire mas não tinha nem metade da qualidade. Tudo velho, das verduras à fruta, incluindo algumas laranjas podres. Peguei numa e mostrei-lhe:
- Olhe pra isto, está tudo podre! Ele só disse “si” mas percebeu a ideia e foi buscar uma caixa nova mas levantou o cartão e afinal…mais laranjas podres. Ele não falava português mas deu-me razão: “naao bom”. Mas na semana passada, quinze dias depois, passei lá vinda do trabalho, já oito da noite, e a porta estava aberta. E o homem ficou visivelmente contente. Saiu do balcão e foi direito à caixa das laranjas: “ah hoje larajas, si? Mouto frescas ah?” A memória do homem impressionou-me, eu seria incapaz.
Trouxe a experimentar e sim, “mouto doces”. Aos poucos, o casal está a aprender os gostos da gente do bairro do Conde Redondo e arredores, de todo o tipo, desde a couve portuguesa à mandioca, laranjas e pêra abacate. Porque, à excepção de uns frascos de picante feitos em casa e que eu não me atrevo a provar, a mercearia não tem nada indiano a ser os donos. Claro que o chão podia ser lavado mais vezes. Para o casal, não há aparentemente nada de mal em ter um pombo a voar pela loja adentro ou a picar as folhas velhas espalhadas pelo chão. Mas reparo que a arrumação também está a melhorar. E eu penso que não pode haver mais “very tipical” que esta mercearia, símbolo da Lisboa de sempre, a do encontro de todas as culturas.
- Olhe pra isto, está tudo podre! Ele só disse “si” mas percebeu a ideia e foi buscar uma caixa nova mas levantou o cartão e afinal…mais laranjas podres. Ele não falava português mas deu-me razão: “naao bom”. Mas na semana passada, quinze dias depois, passei lá vinda do trabalho, já oito da noite, e a porta estava aberta. E o homem ficou visivelmente contente. Saiu do balcão e foi direito à caixa das laranjas: “ah hoje larajas, si? Mouto frescas ah?” A memória do homem impressionou-me, eu seria incapaz.
Trouxe a experimentar e sim, “mouto doces”. Aos poucos, o casal está a aprender os gostos da gente do bairro do Conde Redondo e arredores, de todo o tipo, desde a couve portuguesa à mandioca, laranjas e pêra abacate. Porque, à excepção de uns frascos de picante feitos em casa e que eu não me atrevo a provar, a mercearia não tem nada indiano a ser os donos. Claro que o chão podia ser lavado mais vezes. Para o casal, não há aparentemente nada de mal em ter um pombo a voar pela loja adentro ou a picar as folhas velhas espalhadas pelo chão. Mas reparo que a arrumação também está a melhorar. E eu penso que não pode haver mais “very tipical” que esta mercearia, símbolo da Lisboa de sempre, a do encontro de todas as culturas.
Etiquetas:
compras,
Contas e contos de mercearia
14 de maio de 2008
7 de maio de 2008
6 de maio de 2008
comprar jornais
durante a semana compro o jn para fazer o serviço de jantar que tanta falta me faz lá em casa.
ainda por cima tem a marca imprescindível do museu chillida-leku. quem? exacto.
ao fim-de-semana não perco o 24 horas para completar o faqueiro chique que combinará maravilhosamente com o chillidazinho.
ler notícias? por favor.
ainda por cima tem a marca imprescindível do museu chillida-leku. quem? exacto.
ao fim-de-semana não perco o 24 horas para completar o faqueiro chique que combinará maravilhosamente com o chillidazinho.
ler notícias? por favor.
16 de abril de 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)







