20 de dezembro de 2006

é aproveitar

parece que o pai natal vai estar na galeria zé dos bois.

A "Ler Devagar" vai saldar o seu stock - mais de 10 mil livros - nas instalações da ZDB até 20 de Janeiro.
Os preços variam entre os 50 cêntimos e os dez euros.
Depois disto, a ler devagar muda-se para a Rua da Rosa.

quem é amigo, quem é?

19 de dezembro de 2006

divertimento com um sinal ortográfico

enquanto as queridas castas estão a cortar a fruta cristalizada em cubinhos e a descascar pinhões, avelãs, amêndoas e afins (quero essas nozes sem pele, einh?) para o bolo-rei, aqui a palhacita deixa um poema visual do genial génio alexandre o´neill:


"desafio um francês a possuir-me
quando estou, por exemplo, em coração"

18 de dezembro de 2006



como as castas estão de certeza entretidas a aprender a fazer bolo-rei (sem brinde) aqui fica o meu bem haja de boas festas e que 2007 tenha boas colheitas.

17 de dezembro de 2006

sunday morning



Sunday morning, praise the dawning
Its just a restless feeling by my side
Early dawning, sunday morning
Its just the wasted years so close behind

Watch out, the worlds behind you
Theres always someone around you who will call
Its nothing at all

Sunday morning and Im falling
Ive got a feeling I dont want to know
Early dawning, sunday morning
Its all the streets you crossed, not so long ago

Watch out, the worlds behind you
Theres always someone around you who will call
Its nothing at all

Watch out, the worlds behind you
Theres always someone around you who will call
Its nothing at all

Sunday morning
Sunday morning
Sunday morning

12 de dezembro de 2006

hoje estou assim


um bocado dispersa.

8 de dezembro de 2006

conjugar os verbos ir e andar no autocarro


duas senhoras pelos cinquenta:
- olá, está boazinha? como é que vai?
- ah, cá vou indo.
silêncio.
- pois... o que é preciso é ir andando.
novo silêncio.

5 de dezembro de 2006

Violência infantil

Há dias passei pela minha antiga escola primária e lembrei-me. Foi na primeira classe, numa excursão a umas grutas (devem ser as mesmas grutas a que vocês foram :o)). Lá dentro havia um poço onde se deitavam moedas em troca de um desejo. Aquilo fez muito sucesso entre as garotas. Eu já não me lembro o que desejei, mas deve ter sido uma coisa muito importante.
Pois a Sandra, miúda saída da casca, tirou-me a moeda da mão e pediu ela o desejo. Lembro-me da maneira como olhei para ela em silêncio, estupefacta, então aquilo fazia-se? Pus-lhe a mão na cara e empurrei-a com tanta força que ela caiu para trás e bateu com a cabeça na rocha. Lembro-me de a ver a chorar e a queixar-se com dores mas na altura fiquei dividida entre o "ai que é que eu fiz" e "ela merecia mais". Entretanto, a professora apareceu, viu-a no chão, ouviu as minhas razões e "resolveu" o problema com uma chapada em cada uma.

4 de dezembro de 2006




padres da esquerda:
"eh pá, ouvi dizer que há por aí um blogue de castas. chama-se míldio. já ouviste falar?".
"já, mas estou desolado, pá. parece que há uma casta que está em falta".

padres da direita:
"tu já viste a nossa vida? vamos todos os dias ao blogue e ela não aparece?"
"valha-me deus, já fiz tantas promessas para ela aparecer. só falta deixar de beber".

30 de novembro de 2006

Diabos ou santinhos?

Que tal testarem o vosso nível de "deboche" aqui?

O gato abre a janela e vôa toda a noite


Na impossibilidade de abrir a janela e voar a noite toda, o meu gato mia do outro lado da porta e eu tenho que decidir se vou dormir ou se vou para a sala dar-lhe atenção. Até o gato quer colo! E eu lembro-me do Stig Dagerman: “a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer”. Por isso, mais vale ir dormir.






O quadro é do João Vieira e pertence a uma colecção privada qualquer, mas podem sempre tentar comprá-lo e surpreender-me este Natal.

29 de novembro de 2006

importa-se de repetir?



deixo já aqui expresso que este não é um post facilitista.
ontem recebi fotos maravilhosas sobre o meu país. todas de um país um bocado parolo.
mas esta não me saía da cabeça.
é tão ridícula, tão kitsch que não consigo vê-la como um acto tolo de algum engraçadinho.
é quase uma foto artística sobre portugal. uma instalação de arte.
imagino-a num formato 2 x 3 metros numa galeria.
ou mesmo em três dimensões, um galito empalhado ou de barro com uma trela ligada a uma casota de cão.
uma coisa ao jeito da joana vasconcelos, que cobriu cãezinhos de loiça em renda, fez um lustre gigante com tampões e encheu uma trotineta com nossas senhoras florescentes.

28 de novembro de 2006

hoje estou assim



com flowers in my mind
mais aqui.

26 de novembro de 2006

+



ama como a estrada começa.





um poema de cesariny que a touriga me apresentou

22 de novembro de 2006

Que bonito!

Não dizia palavras,
Aproximava somente um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.

Entre os ossos a angústia abre caminho,
Ergue-se pelas veias
Até abrir na pele
Jorros de sonho
Feitos carne interrogando as nuvens.

Um contacto ao passar,
Um fugidio olhar no meio das sombras,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais em desejo.
Embora seja só uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.

Luis Cernuda

uh la la

21 de novembro de 2006

oh beckett


um post para a touriga nacional, a ausente das ausentes do míldio.
ausente, mas presente.

Benditas fotocópias

A inspecção-geral das actividades culturais andou à caça de fotocópias ilegais nas universidades e encontrou milhares de livros copiados, sobretudo livros técnicos das áreas de Direito, Medicina e Enfermagem.
Acho que só lá para o terceiro ano é que me dei conta que fotocopiar livros inteiros constituía crime. E foi por isso que deixei de ir à reprografia? Não. A biblioteca tinha os livros necessários mas quase sempre requisitados. A livraria tinha-os disponíveis, mas a bolsa que recebia (de 17 mil escudos em 1993) chegava para o passe, almoço, jornais e ...fotocópias. Acho que durante os quatro anos do curso comprei menos de dez livros e esses dez livros devem ter custado umas dezenas de contos. Havia que gerir a situação.
Sobre esta realidade, imagino que idêntica à de milhares de estudantes mais de dez anos depois, a inspectora contactada pelo JN diz o seguinte:
"Os parques das faculdades estão cheios de automóveis". Só à estalada.

20 de novembro de 2006

r t p = raios te partam

fico doente com a programação da rtp.
eu sei que não devia deixar que estas coisas frívolas e estupidificantes me deixassem influenciar, mas é mais forte do que eu.
como é que é possível que aquelas cabeçinhas, pagas para pensar boa televisão, dedicam mais de duas horas a um programa da treta como "prós e contras", que muitas vezes não tem nem prós nem contras, e programam o cinema português para a madrugada?
pelo que vi da programação, parece que esta semana a rtp irá exibir alguns filmes do fonseca e costa, a propósito da estreia no cinema de "viúva rica solteira não fica".
ontem passou "kilas, o mau da fita", que é raríssimo passar na tv e, segundo consta, é dificil de arranjar uma cópia para exibição.
hoje passa "sem sombra de pecado".
passa às 01:45, porra.
isto é hora de passar cinema português?!
a mesma rtp (já nem falo na sic e na tvi que põe óptimas séries também ao começo da madrugada) programou para quarta-feira uma nova série de ficção - anatomia de grey - à mesma hora em que decorre na 2: a viciante série 24.
a rtp é concorrente da 2:?
serão cegos? "bomitam monelhos de cavelos"?

pronto, sinto-me um nada mais leve por ter partilhado isto.

só para lembrar

que a raparigada aqui do blogue não se alimenta só de vinho vindo do baguinho.

"Deve-se estar sempre embriagado.
Nada mais importa.
Para que o horrível fardo do tempo não vos pese sobre os ombros e vos faça pender para a terra, deveis embriagar-vos sem cessar.
Mas de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha.
Mas embriagai-vos!
E se um dia, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma valeta, na solidão baça do vosso quarto, acordardes, já sóbrios, perguntai ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai:
"Que horas são?"
E o vento, a onda, a estrela, a ave, o relógio, responder-vos-ão:
"São horas de vos embriagardes!".
Para que não sejais uns escravos martirizados do tempo, embriagai-vos sem cessar.
De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha".

charles baudelaire