Mostrar mensagens com a etiqueta receitas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta receitas. Mostrar todas as mensagens

13 de novembro de 2007

sopa de puta fina

em ambiente sopeiro, não resisto a recordar uma das minhas sopas preferidas.
fazia-se ocasionalmente lá em casa quando havia preguiça para cozinhar. geralmente calhava ao domingo à noite, hora de neura.
sei que leva muito alho, pão duro, muitos coentros, azeite e ovos mexidos no final.
não demora mais do que meia hora.
parece sopa alentejana, mas na minha terra chama-se sopa de puta fina.

11 de novembro de 2007

Receita de sopa que ferve uma manhã inteira e onde se usam couves tenras que se mandaram apanhar na horta às primeiras horas da manhã

Não resisti a sublinhar algumas passagens.

"Num panelão de barro ou de esmalte, deitam-se alguns ossos de vaca, ossos de leitão assado (se os houver), um naco de presunto, 4 ou 5 cenouras, sal e pimenta. Cobre-se com água fria e deixa-se ferver durante uma manhã inteira. A meio da manhã, manda-se apanhar na horta 2 ou 3 couves tenras, as quais, depois de se terem lavado muito bem, ripam-se para dentro da panela. Uma hora antes de servir, deitam-se fatias de pão cortadas o mais fino possível, mas antes de se deitar o pão, retiram-se os ossos todos da sopa. A porção de pão varia conforme se queira sopa em caldo ou género sopa seca. Cerca de 30 minutos antes do almoço prova-se e tempera-se com uma boa chávena de molho de leitão e com mais uma pitada de sal, se necessário. Ferve sempre, desde as primeiras horas da manhã, até à hora de estarem todos à mesa, à espera dela."



A receita intitula-se "Sopa fervida como se faz na minha família", vem assinada pelo "Doutor Lopo Cancella de Abreu", médico, no nº 70 da revista de culinária Banquete, de Dezembro de 1965.
Se não me engano o autor da receita foi ministro do Estado Novo e era o marido da directora da Banquete, Maria Emília Cancella de Abreu

26 de setembro de 2007

Para crises verdadeiras, rolos fingidos

Eu já desconfiava, mas ontem tive a certeza. A crise não afecta só os pobrezinhos. Descobri-o na Av. de Roma, aquela que eu supunha servir a classe média bem na vida. No passeio, já quase ao pé do Hotel Roma, anuncia-se um talho que, para não destoar das aparências da zona “bem”, se deu o nome de “Boutique da Carne”. Mas não há aparências que resistam a uma crise que sentou definitivamente o seu c* gordo em cima das nossas espremidas carteiras. Ali, em vez de lombo verdadeiro, que custa pra cima duma fortuna, há rolo fingido a 2,98 euros. E claro, a baratucha perna de perú que bem arranjadinha com batatas no forno rende para uma casa de família. O que este país está a precisar é de ir buscar a Filipa Vacondeus com as suas dicas para fazer um arroz de chouriço sem chouriço e o Chefe Silva da Teleculinária com as suas avisadas receitas de bacalhau corrente. Disse ele várias vezes nas revistas que a minha mãe coleccionava nos anos 80 (entretanto roubei-lhe algumas) que a receita para ser bem feita pede lombos de bacalhau graúdo, mas que o corrente faz as vezes, sobretudo em tempos de crise.



P.S. Para fazer arroz de chouriço sem chouriço: (Receita de Filipa Vacondeus)
Da próxima vez que comprarem chouriço não deitem fora aquele cordel que ata as pontas. Aproveitem e façam boa figura com pouco dinheiro. Cozam o cordel e as pontinhas do chouriço que normalmente vai pró lixo e usem a água da cozedura para fazer o arroz. Aquilo não é uma porcaria porque, lá diz o provérbio: “água fervida, bicheza morrida”.