3 de outubro de 2007

O tratamento da condição feminina nos anos 70

Descobri há dias que em 1978 tentavam impingir à “mulher moderna” um produto “desinfectante-desodorizante” para a “higiene íntima” que garantia o “aroma da higiene” mesmo “nos dias especiais do mês”. Chamava-se Dystron.

Numa análise à dita mensagem publicitária, surgem-me ao espírito várias interrogações.
Por exemplo, ao que é que se referem precisamente quando falam nos “dias especiais do mês”? É que de acordo com uma breve sondagem feita a mulheres modernas aqui da chafarica, não há dia mais especial no mês que o dia de pagamento. Será que precisamos de cheirar a lavadinho para receber o salário? E porquê só nesses dias? E isto leva-me a outras considerações. O que significa em concreto a expressão “aroma da higiene”? Isto cheira-me a gato por lebre. Olhem que rica descoberta publicitária. Mas tomar banho para quê se podemos cheirar a lavado sem ter a chatice de ir à banheira?! Modernices dos anos 70, de certeza. O anúncio, que pode ser encontrado no número especial da Teleculinária de Dezembro de 1978, é encabeçado por uma fotografia de rosto de uma “mulher moderna” pintalgada à última moda:


1 de outubro de 2007

29 de setembro de 2007

Menezes OK, Mendes KO



O Santana tinha razão. O país (e o PSD) está doido.

Desculpem lá castas, não queria baixar o nível do blog com politiquices, mas é só hoje.

28 de setembro de 2007

A vingança dos livreiros

Ok, são baratinhos, mas lá por estarem em saldo têm que vir com defeito? Quando custavam dez ou quinze euros não vi estes autocolantes nas capas. Deve ser uma espécie de vingança dos livreiros: “Sim, podes levá-los a 1 euro, mas pensavas que ia ser assim tão fácil? Agora tenta arrancar os autocolantezinhos sem rasgar a capa. Vá lá, então? Não consegues? Rasgou? Ohhhhh que pena. Não, não posso trocar. (gargalhada maléfica)”.


26 de setembro de 2007

Para crises verdadeiras, rolos fingidos

Eu já desconfiava, mas ontem tive a certeza. A crise não afecta só os pobrezinhos. Descobri-o na Av. de Roma, aquela que eu supunha servir a classe média bem na vida. No passeio, já quase ao pé do Hotel Roma, anuncia-se um talho que, para não destoar das aparências da zona “bem”, se deu o nome de “Boutique da Carne”. Mas não há aparências que resistam a uma crise que sentou definitivamente o seu c* gordo em cima das nossas espremidas carteiras. Ali, em vez de lombo verdadeiro, que custa pra cima duma fortuna, há rolo fingido a 2,98 euros. E claro, a baratucha perna de perú que bem arranjadinha com batatas no forno rende para uma casa de família. O que este país está a precisar é de ir buscar a Filipa Vacondeus com as suas dicas para fazer um arroz de chouriço sem chouriço e o Chefe Silva da Teleculinária com as suas avisadas receitas de bacalhau corrente. Disse ele várias vezes nas revistas que a minha mãe coleccionava nos anos 80 (entretanto roubei-lhe algumas) que a receita para ser bem feita pede lombos de bacalhau graúdo, mas que o corrente faz as vezes, sobretudo em tempos de crise.



P.S. Para fazer arroz de chouriço sem chouriço: (Receita de Filipa Vacondeus)
Da próxima vez que comprarem chouriço não deitem fora aquele cordel que ata as pontas. Aproveitem e façam boa figura com pouco dinheiro. Cozam o cordel e as pontinhas do chouriço que normalmente vai pró lixo e usem a água da cozedura para fazer o arroz. Aquilo não é uma porcaria porque, lá diz o provérbio: “água fervida, bicheza morrida”.

ahhhhh paris







25 de setembro de 2007

mulher avestruz



apetece ir a madrid só para ver a mulher avestruz.

24 de setembro de 2007

Para quem gosta de fotos com gente dentro








India, 2007

Autor: João Pedro Gonçalves

Maria Callas Madame Butterfly

Uma descoberta recente! O que ainda há uns tempos eram só "gritos", provoca-me agora arrepios nos braços (o que é sempre bom sinal) e profunda emoção...Quem diria? Ópera, Trincadeira?!!!

18 de setembro de 2007

Aprendam, que eles não duram sempre

"Sou um bocado surrealístico com relação a isso. Mas posso estar enganado", taxista sobre o Festival Internacional do Taxi, que decorre até domingo em Lisboa

O motorista dizia que tinha ouvido na rádio que vinha cá um francês falar sobre o sector, que ia haver uns colóquios e que fizeram umas bandeiras para o profissional pôr no carro.

Aqui em baixo ficam os brindes que os meus delicados ouvidos não ouviram (porque Trincadeira honrada não tem ouvidos) a caminho de casa.

"Eu quero é que eles metam o francês no c*... com perdão da palavra. Eu não sei francês e não me interessa saber"
"Os colóquios é prós estudantes e pros pensadores. Pra mim não vai lá ninguém!
"E depois, em vez de mandarem fazer umas canetas, umas coisas celebrativas para o profissional do taxe ir buscar ... não, mandam fazer umas bandeiras amarelas que só servem pra ir pró lixo".
"Se fizessem uma coisa pra nós ainda vá lá. Mas eu sei lá quem é que anda a meter umas coroas ao bolso com isto"

Aprendam, que a sabedoria do taxista não dura sempre. Ou dura?

17 de setembro de 2007

quem dá mais?

portugal devia seguir com mais atenção alguns exemplos do que se passa por esse mundo fora (ou dentro).
kanye west e 50 cent degladiam-se para saber quem vende mais.

ao que parece, se amanhã mr west surgir em primeiro lugar na tabela de vendas nos eua, tal como aconteceu no reino unido, mr cent terá de cumprir aquilo que prometeu: retirar-se da ribalta e manter apenas o trabalho como produtor.

ora, em portugal há muito artista que podia lançar este desafio e deixava as nossas alminhas mais aliviadas.
os anjos podiam propor este combate ao joão pedro pais e à mafalda veiga. dois histéricos contra dois insonsos.
ou as chiquititas parolas podiam desafiar o avô cantigas, esse fantasminha brincalhão.
a lista é quase interminável, mas é aliciante. hum?
o problema é que teríamos sempre que aturar metade deles.


é claro que entre kanye west e 50 cent a luta é de milhões de cópias. milhões.
cá, os números ficam-se pelas "platinas" de 20 a 60 mil unidades. e já é muito.

13 de setembro de 2007

Eu quero ser uma velha sem rugas na cabeça

Aquelas velhas já foram como eu
E pensar nisso
Não alivia a sensação de repulsa
Que a vista das suas pernas deformadas me provoca.
Não é a celulite que me incomoda
Nem tão pouco os seus poucos cabelos brancos
São velhas recém operadas
Algumas andam tortas
As suas mãos são nodosas e manchadas
Os seus cabelos são pintados ou branco-lilás.
Demoram-se no vestiário e na casa de banho
E exalam um insistente cheiro a pó-de-arroz.
A sua voz é fina como um fio de nylon
Das suas meias de descanso.
As velhas têm muitas queixas para fazer
E fazem-nas entre dentes ou em alta voz.
Mas são as silenciosas que me assustam
Murmuram bons-dias com bocas desconfiadas
E olhos inchados de solidões mal dormidas
Tratam-se por doutoras e senhoras ou meninas
E nunca riem.
No ginásio receitado pela fisioterapeuta
As velhas mancam, quase todas.
Às vezes há uma velha que parece mais nova
Chegou aos 76 com poucas rugas na cabeça.
Com ar de quem tem pressa,
Conta que o filho vai hoje lá a casa
E que na praça já não havia peixe
E que teve pena porque “o miúdo” gosta de peixe.
Se alguém tinha visto o “Goucha” ontem
Que lhe deu vontade de rir, o “malandro”
Confessou-me, entre risos, que nunca foi ao cabeleireiro
E que o segredo dos seus caracóis perfeitos
É um preparado de cerveja preta, aplicado de manhã (!)
A mais velha das mais velhas
Ostenta que vive!

Incomoda-me vir a ter as costas deformadas
Mas o que eu queria
Era ser uma velha sem rugas na cabeça.

9 de setembro de 2007

uma ilustração para domingo



porque os domingos não são só polaroids, aqui vai uma ilustração que além de ser o que é, ainda é a capa de um disco que vai sair em breve.

8 de setembro de 2007

exigências para a rentreé


quero que publiquem o próximo livro de jonathan coe, já.
e que reeditem o "mr. vertigo" de paul auster.
posso não ter lido todos os clássicos e ser uma criatura inculta, mas ficava feliz se me fizessem o favor de publicar os dois livros.

28 de agosto de 2007

verde




lá se foram as férias.




17 de agosto de 2007

13 de agosto de 2007

a vida é difícil.
não tarda estou outra vez de férias.

9 de agosto de 2007

tortura

são fotos destas que me dão vontade de açoitar quem se diz adulto.
este é um treino para os jogos olímpicos de pequim. um treinador conta os cinco minutos que estas crianças têm que aguentar suspensas na barra.
se calhar o "desporto" é a única alternativa de futuro para estas crianças, mas não deixa de se tortura.

i am a very stylish girl


mildiabos simpson. juntei-me à família amarela

7 de agosto de 2007

ele snifou



afinal, ele snifou as cinzas do pai!
o problema estava no facto de se ter percebido erradamente que ele teria misturado cocaína com as cinzas! ah.
"The cocaine bit was rubbish. I said I chopped him up like cocaine, not with", disse ele.
está tudo aqui e aqui.
e soube-lhe bem? "It went down pretty well, and I'm still alive".
é de esperar, por isso, boas histórias na biografia que ele está a preparar com um amigo para 2010 e pela a qual já recebeu mais de cinco milhões de euros.

6 de agosto de 2007

the vegetable orchestra

A pedido da mil-diabos...mas a minha origem proletária/rural/suburbana obriga-me a lembrar as palavras da minha mãe quando viu esta orquestra no telejornal: "parece impossível com tanta gente a passar fome, estragarem assim comida..." pronto.

Ladytron - Destroy Everything You Touch

Como é que uma música que se chama assim nos põe aos saltos pela casa logo pela manhã?

o radialista

se não fosse político e economista, louçã podia ter um programa de rádio, daqueles em que se fala um bocado sobre as músicas preferidas, da sua vida, blá, blá.
hoje de manhã, ainda antes de saber que o louçã era o louçã, ouvi alguém na tsf a anunciar os artistas que estavam a passar, com uma voz um nada arrastada, com um arfar delicado.
só percebi que o louçã era o louçã pelo enrolar dos erres. mais ninguém enrola os erres como ele.
o que ele escolheu: camané, leonard cohen, nina simone, pogues e o compositor (que não me lembro quem é) da banda sonora do filme "in the mood for love", de wong kar-wai.
tudo bom gosto. quem diria.

24 de julho de 2007

hum?



por estes dias tenho palavras novas no meu dicionário de ritês/português:
mimão (limão)
cacauola (caracol)
tataua (tartaruga)
chã (maçã)
chia (melancia)
peia (pêra)
uba (uva)
fó e fô (avó e avô)
chão (televisão)
nony (noddy)
ninão (campainha)

23 de julho de 2007

barrigada de bolas de berlim


durante uma semana de férias na praia enchi a pança de bolas de berliiiiim deliciosas.

15 de julho de 2007

Pior que uma fotografia de um pôr-do-sol...




Só duas fotografias de dois pores-do-sol!





11 de julho de 2007

Ai qu`eu morro óstrufiada!

“Óstrufiada” é uma palavra nova, inventada por uma cigana aflita com o calor do meio-dia no mercado da Boa-Hora. O vocábulo nasceu há poucos dias e não será imortalizado em dicionários da Língua Portuguesa. Mas era a altura certa para nascer e a mulher que o proferiu tinha as suas razões. As palavras novas tem sempre as suas razões. Eu, que lá fui de passagem, registei-a. O grito que lhe saiu da garganta, quase cantado, era uma queixa banal e consensual. Está calor, o mercado está cheio de gente, há pouca ventilação... é normal que se queixem do calor. Mas, “óstrufiada” não é qualquer um que inventa. A cigana não foi à escola, como é normal acontecer com as mulheres ciganas. E atrapalhou-se? Não. Encheu o peito, abriu a boca e gritou ... "a gente aqui morre óstrufiada com o calor". Nós rimos muito. Gargalhadas e tudo. Tivemos anedota para o resto do dia. Rimos tanto que até sufocámos, por pouco não morríamos... "óstrufiados" com o riso. E a palavra ficou. Já não morre. Por isso, o seu a seu dono. "Óstrufiado" é um vocábulo novinho em folha, nasceu há poucos dias no mercado da Boa-Hora, freguesia da Ajuda, da fúria encalorada de uma mulher aflita com o calor.

7 de julho de 2007

isto sim é promoção

Com uma manta nas pernas, porque aqui faz frio, e um naperon a resguardar a minha linha tv, vi a cerimónia das sete maravilhas.
e o que vi?
o ben kingsley a semicerrar os olhinhos para conseguir ler o teleponto, o carreras a fazer playback, o cortés a bater numa caixa sem ter dado dois passitos olé, a dulce pontes a berrar e a chaka khan a desafinar.
e uma jornalista da tvi a entrevistar o alcaide de machu picchu. delirante.
sócrates, com um fato azul-motorista-da-carris e um sete na lapela, disse: foi um espectáculo muito lindo.
salvou-se a jennifer lopez, o camané e a mariza. e o cristiano ronaldo.
três horas e meia de promoção de portugal.

3 de julho de 2007

isto sim é publicidade

aqui ao pé do tejo há rapazes e raparigas a oferecer "free hugs". patrocinados pela optimus.
e ainda por cima as pessoas aderiam.
abraços grátis para todos.
paz e amor no sbsr.

2 de julho de 2007

valsa de um homem carente

Se alguma vez te parecer
ouvir coisas sem sentido
não ligues, sou eu a dizer
que quero ficar contigo
e apenas obedeço
com as artes que conheço
ao princípio activo
que rege desde o começo
e mantém o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer

figuras teatrais
dignas dum palhaço pobre
sou eu a dançar a mais nobre
das danças nupciais
vê minhas plumas cardeais
em todo o seu esplendor
sou eu, sou eu, nem mais
a suplicar o teu amor
É a dança mais pungente

mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente
mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente.

jorge palma

27 de junho de 2007

26 de junho de 2007

b, de burgesso



nem 24 horas passaram depois da abertura e o homem primitivo já fez asneiras.
e a arte sem ter culpa nenhuma, coitadinha.

stoned



tão pequeninos que eles parecem, mas, caramba, foram incansáveis e deram uma lição de bom rock'n'roll aos que foram ontem a alvalade. o melhor momento da noite foi a entrada de ana moura em palco para cantar "no expectations" com um trinado fadista, apesar de ter estado um bocado desafinada. há uma foto a circular da noitada de fados que ela deu aos stones numa casa de fados em lisboa. o ar de keith richards é tãaaao janado, meu deus. sem falar do bigode à cantinflas...








20 de junho de 2007

Ele há cortes para todos os gostos

"É sentar freguês"...

esta foi tirada em silves. está um bocado esbranquiçada, mas dá para perceber que ali o corte deve ser fino. o senhor que está sentado, presumo que seja o barbeiro, espera que alguém se sente naquela cadeira.

gosto particularmente do pormenor da toalha que está no braço da cadeira. dá um ar de azáfama à barbearia.

A arte do graffiti numa interpretação livre em casa térrea alentejana

Explicação da vizinha do artista, perante a nossa admiração pela obra:
"Olhe, é maluco. Uns dias ele acorda bem e limpa isso tudo. Uns dias acorda mal e põe essas letras e essas coisas todas tudo outra vez".


19 de junho de 2007

Café Lourenço

De passagem por uma aldeia chamada Taliscas, a caminho de Santa Clara, Baixo alentejo, surge o Café Lourenço. Lá dentro, a dona vem sentar-se connosco e em dois minutos ficámos a saber que tem uma irmã no Dafundo, Algés. Que os sobrinhos, quando vêm de férias, não vão a Taliscas e preferem ficar no "prédio" que a irmã comprou em Vila Nova de Milfontes. Mas não há tristezas no rosto ou nas falas desta mulher. Despachada, curiosa, elogia a Albufeira de Santa Clara, que terá "pra mais de três quilómetros de largura", e diz que tem pena que hoje "aquilo já não seja tão florido e arranjadinho como dantes". A mim, bastou-me o arranjo das flores em vasos a toda a largura do Café.

não sou fã de tudo o que ele faz, mas o homem está em grande no último filme de bruno de almeida, "the lovebirds", que estreou na segunda-feira.
o filme, feito em formato digital, não é nada de especial, mas vale pela cena de improviso de fernando lopes frente a um pugilista amedrontado (rogério samora).
fernando lopes deu ali de borla, com uma cigarrilha entre os dedos, uma lição de cinema e de vida.
na estreia no são jorge não cabia nem mais um cabelo. estava lá metade do cinema português e alguma rês política.

18 de junho de 2007

14 de junho de 2007

Nos próximos quinze dias...

os estimados clientes e amigos poderão encontrar-me aqui:

ou aqui...

12 de junho de 2007

ah a praia...


e pensar que no algarve oiço um nadador salvador dizer:
tou f*. só há velhas nesta praia. esta m* vai ser um tédio.

* (hoje não estou virada para os palavrões)

8 de junho de 2007



tinha a corte à sua espera. as senhoras do palácio estavam ululantes e com nervozito à flor da pele. os jornalistas esperavam numa patética fila.
ele chegou com uma hora de atraso. disse três ou quatro frases num tom de quem responde às mesmas perguntas há muitos anos.
a organização esteve ao mais alto nível, sempre a considerar os jornalistas a pior das ralés. alguns de facto até não estavam longe, ao fazerem perguntinhas parvas ao mister de niro sobre se gosta de lisboa.
o mais importante de tudo teve mesmo que ser perguntado logo à entrada do palácio: se o mister de niro tinha estado no restaurante tal e se tinha gostado da comida. nham.





6 de junho de 2007

É regar e pôr ao luar



Já perfuma a minha janela!