17 de agosto de 2007
9 de agosto de 2007
tortura
são fotos destas que me dão vontade de açoitar quem se diz adulto. este é um treino para os jogos olímpicos de pequim. um treinador conta os cinco minutos que estas crianças têm que aguentar suspensas na barra.
se calhar o "desporto" é a única alternativa de futuro para estas crianças, mas não deixa de se tortura.
7 de agosto de 2007
ele snifou

afinal, ele snifou as cinzas do pai!
o problema estava no facto de se ter percebido erradamente que ele teria misturado cocaína com as cinzas! ah.
"The cocaine bit was rubbish. I said I chopped him up like cocaine, not with", disse ele.
e soube-lhe bem? "It went down pretty well, and I'm still alive".
é de esperar, por isso, boas histórias na biografia que ele está a preparar com um amigo para 2010 e pela a qual já recebeu mais de cinco milhões de euros.
6 de agosto de 2007
the vegetable orchestra
A pedido da mil-diabos...mas a minha origem proletária/rural/suburbana obriga-me a lembrar as palavras da minha mãe quando viu esta orquestra no telejornal: "parece impossível com tanta gente a passar fome, estragarem assim comida..." pronto.
Ladytron - Destroy Everything You Touch
Como é que uma música que se chama assim nos põe aos saltos pela casa logo pela manhã?
o radialista
se não fosse político e economista, louçã podia ter um programa de rádio, daqueles em que se fala um bocado sobre as músicas preferidas, da sua vida, blá, blá.
hoje de manhã, ainda antes de saber que o louçã era o louçã, ouvi alguém na tsf a anunciar os artistas que estavam a passar, com uma voz um nada arrastada, com um arfar delicado.
só percebi que o louçã era o louçã pelo enrolar dos erres. mais ninguém enrola os erres como ele.
o que ele escolheu: camané, leonard cohen, nina simone, pogues e o compositor (que não me lembro quem é) da banda sonora do filme "in the mood for love", de wong kar-wai.
tudo bom gosto. quem diria.
hoje de manhã, ainda antes de saber que o louçã era o louçã, ouvi alguém na tsf a anunciar os artistas que estavam a passar, com uma voz um nada arrastada, com um arfar delicado.
só percebi que o louçã era o louçã pelo enrolar dos erres. mais ninguém enrola os erres como ele.
o que ele escolheu: camané, leonard cohen, nina simone, pogues e o compositor (que não me lembro quem é) da banda sonora do filme "in the mood for love", de wong kar-wai.
tudo bom gosto. quem diria.
24 de julho de 2007
hum?
23 de julho de 2007
15 de julho de 2007
11 de julho de 2007
Ai qu`eu morro óstrufiada!
“Óstrufiada” é uma palavra nova, inventada por uma cigana aflita com o calor do meio-dia no mercado da Boa-Hora. O vocábulo nasceu há poucos dias e não será imortalizado em dicionários da Língua Portuguesa. Mas era a altura certa para nascer e a mulher que o proferiu tinha as suas razões. As palavras novas tem sempre as suas razões. Eu, que lá fui de passagem, registei-a. O grito que lhe saiu da garganta, quase cantado, era uma queixa banal e consensual. Está calor, o mercado está cheio de gente, há pouca ventilação... é normal que se queixem do calor. Mas, “óstrufiada” não é qualquer um que inventa. A cigana não foi à escola, como é normal acontecer com as mulheres ciganas. E atrapalhou-se? Não. Encheu o peito, abriu a boca e gritou ... "a gente aqui morre óstrufiada com o calor". Nós rimos muito. Gargalhadas e tudo. Tivemos anedota para o resto do dia. Rimos tanto que até sufocámos, por pouco não morríamos... "óstrufiados" com o riso. E a palavra ficou. Já não morre. Por isso, o seu a seu dono. "Óstrufiado" é um vocábulo novinho em folha, nasceu há poucos dias no mercado da Boa-Hora, freguesia da Ajuda, da fúria encalorada de uma mulher aflita com o calor.
7 de julho de 2007
isto sim é promoção
Com uma manta nas pernas, porque aqui faz frio, e um naperon a resguardar a minha linha tv, vi a cerimónia das sete maravilhas.
e o que vi?
o ben kingsley a semicerrar os olhinhos para conseguir ler o teleponto, o carreras a fazer playback, o cortés a bater numa caixa sem ter dado dois passitos olé, a dulce pontes a berrar e a chaka khan a desafinar.
e uma jornalista da tvi a entrevistar o alcaide de machu picchu. delirante.
sócrates, com um fato azul-motorista-da-carris e um sete na lapela, disse: foi um espectáculo muito lindo.
salvou-se a jennifer lopez, o camané e a mariza. e o cristiano ronaldo.
três horas e meia de promoção de portugal.
e o que vi?
o ben kingsley a semicerrar os olhinhos para conseguir ler o teleponto, o carreras a fazer playback, o cortés a bater numa caixa sem ter dado dois passitos olé, a dulce pontes a berrar e a chaka khan a desafinar.
e uma jornalista da tvi a entrevistar o alcaide de machu picchu. delirante.
sócrates, com um fato azul-motorista-da-carris e um sete na lapela, disse: foi um espectáculo muito lindo.
salvou-se a jennifer lopez, o camané e a mariza. e o cristiano ronaldo.
três horas e meia de promoção de portugal.
3 de julho de 2007
isto sim é publicidade
aqui ao pé do tejo há rapazes e raparigas a oferecer "free hugs". patrocinados pela optimus.
e ainda por cima as pessoas aderiam.
abraços grátis para todos.
paz e amor no sbsr.
e ainda por cima as pessoas aderiam.
abraços grátis para todos.
paz e amor no sbsr.
2 de julho de 2007
valsa de um homem carente
Se alguma vez te parecer
ouvir coisas sem sentido
não ligues, sou eu a dizer
que quero ficar contigo
e apenas obedeço
com as artes que conheço
ao princípio activo
que rege desde o começo
e mantém o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer
figuras teatrais
dignas dum palhaço pobre
sou eu a dançar a mais nobre
das danças nupciais
vê minhas plumas cardeais
em todo o seu esplendor
sou eu, sou eu, nem mais
a suplicar o teu amor
É a dança mais pungente
mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente
mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente.
jorge palma
ouvir coisas sem sentido
não ligues, sou eu a dizer
que quero ficar contigo
e apenas obedeço
com as artes que conheço
ao princípio activo
que rege desde o começo
e mantém o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer
figuras teatrais
dignas dum palhaço pobre
sou eu a dançar a mais nobre
das danças nupciais
vê minhas plumas cardeais
em todo o seu esplendor
sou eu, sou eu, nem mais
a suplicar o teu amor
É a dança mais pungente
mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente
mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente.
jorge palma
29 de junho de 2007
28 de junho de 2007
27 de junho de 2007
26 de junho de 2007
b, de burgesso
stoned
tão pequeninos que eles parecem, mas, caramba, foram incansáveis e deram uma lição de bom rock'n'roll aos que foram ontem a alvalade. o melhor momento da noite foi a entrada de ana moura em palco para cantar "no expectations" com um trinado fadista, apesar de ter estado um bocado desafinada. há uma foto a circular da noitada de fados que ela deu aos stones numa casa de fados em lisboa. o ar de keith richards é tãaaao janado, meu deus. sem falar do bigode à cantinflas...

24 de junho de 2007
22 de junho de 2007
20 de junho de 2007
gosto particularmente do pormenor da toalha que está no braço da cadeira. dá um ar de azáfama à barbearia.
A arte do graffiti numa interpretação livre em casa térrea alentejana
19 de junho de 2007
Café Lourenço
De passagem por uma aldeia chamada Taliscas, a caminho de Santa Clara, Baixo alentejo, surge o Café Lourenço. Lá dentro, a dona vem sentar-se connosco e em dois minutos ficámos a saber que tem uma irmã no Dafundo, Algés. Que os sobrinhos, quando vêm de férias, não vão a Taliscas e preferem ficar no "prédio" que a irmã comprou em Vila Nova de Milfontes. Mas não há tristezas no rosto ou nas falas desta mulher. Despachada, curiosa, elogia a Albufeira de Santa Clara, que terá "pra mais de três quilómetros de largura", e diz que tem pena que hoje "aquilo já não seja tão florido e arranjadinho como dantes". A mim, bastou-me o arranjo das flores em vasos a toda a largura do Café.
não sou fã de tudo o que ele faz, mas o homem está em grande no último filme de bruno de almeida, "the lovebirds", que estreou na segunda-feira.o filme, feito em formato digital, não é nada de especial, mas vale pela cena de improviso de fernando lopes frente a um pugilista amedrontado (rogério samora).
fernando lopes deu ali de borla, com uma cigarrilha entre os dedos, uma lição de cinema e de vida.
na estreia no são jorge não cabia nem mais um cabelo. estava lá metade do cinema português e alguma rês política.
18 de junho de 2007
14 de junho de 2007
12 de junho de 2007
ah a praia...
e pensar que no algarve oiço um nadador salvador dizer:
tou f*. só há velhas nesta praia. esta m* vai ser um tédio.
* (hoje não estou virada para os palavrões)
8 de junho de 2007


tinha a corte à sua espera. as senhoras do palácio estavam ululantes e com nervozito à flor da pele. os jornalistas esperavam numa patética fila.
ele chegou com uma hora de atraso. disse três ou quatro frases num tom de quem responde às mesmas perguntas há muitos anos.
a organização esteve ao mais alto nível, sempre a considerar os jornalistas a pior das ralés. alguns de facto até não estavam longe, ao fazerem perguntinhas parvas ao mister de niro sobre se gosta de lisboa.
o mais importante de tudo teve mesmo que ser perguntado logo à entrada do palácio: se o mister de niro tinha estado no restaurante tal e se tinha gostado da comida. nham.
6 de junho de 2007
31 de maio de 2007
30 de maio de 2007
25 de maio de 2007
23 de maio de 2007
Inanidades
- ó senhor ministro, o senhor disse isto assim assim quando estava na oposição
- ó senhor deputado, o senhor é que disse assim assado quando estava no Governo
- mas senhor ministro, está aqui a prova de que disse isto assim assim quando estava na oposição.
- mas senhor deputado, o senhor nega que tenha dito assim assado quando estava no Governo?
- ó senhor ministro, explique lá como é que na oposição disse isto e agora diz aquilo?
- ó senhor deputado, porque é que antes disse assim assado e agora diz frito e cozido?
Eles usam e abusam deste diálogos como formas de ataque político e depois metem água porque afinal estão todos no mesmo atoleiro. E o pior é que é muito chato de ver.
- ó senhor deputado, o senhor é que disse assim assado quando estava no Governo
- mas senhor ministro, está aqui a prova de que disse isto assim assim quando estava na oposição.
- mas senhor deputado, o senhor nega que tenha dito assim assado quando estava no Governo?
- ó senhor ministro, explique lá como é que na oposição disse isto e agora diz aquilo?
- ó senhor deputado, porque é que antes disse assim assado e agora diz frito e cozido?
Eles usam e abusam deste diálogos como formas de ataque político e depois metem água porque afinal estão todos no mesmo atoleiro. E o pior é que é muito chato de ver.
21 de maio de 2007
18 de maio de 2007
Porque é que António Costa vai ganhar Lx
17 de maio de 2007
dois flashes de cannes...
...a partir de lisboa.
1. manoel de oliveira, aquele que é do tempo do cinema mudo e que vai estrear um novo filme em junho, disse que o festival de cannes ainda é muito jovem.
são sessenta anos, mas nada comparado com os seus 98.
2. a efe teve a delicadeza de tirar uma fotografia ao júri na "alfombra roja", como dizem, mas esqueceu-se de uma pessoa.
aquela mão singela que se vê agarrada ao braço do nobel da literatura orhan pamuk é de... maria de medeiros.
1. manoel de oliveira, aquele que é do tempo do cinema mudo e que vai estrear um novo filme em junho, disse que o festival de cannes ainda é muito jovem.
são sessenta anos, mas nada comparado com os seus 98.
2. a efe teve a delicadeza de tirar uma fotografia ao júri na "alfombra roja", como dizem, mas esqueceu-se de uma pessoa.
aquela mão singela que se vê agarrada ao braço do nobel da literatura orhan pamuk é de... maria de medeiros.
15 de maio de 2007
14 de maio de 2007
13 de maio de 2007
12 de maio de 2007
Velhos sem cuidados nem carinho em 2006 - SCML
Há trinta e dois anos, um empresário português de “vincada personalidade e um especial talento para o comércio e as finanças” deixava em testamento à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa “parte significativa dos seus bens” com a condição de aquela instituição cumprir a seguinte obrigação:
“…atribuir anualmente três prémios monetários, de montante de cincoenta mil escudos (Esc. 50.000$00) cada, às 3 pessoas que, na Nação e na opinião de júri criteriosamente escolhido, mais tenham contribuído, pelo seu esforço, trabalho ou estudos, para:
a) o cuidado e carinho dos velhos desprotegidos;
b) o progresso da medicina na sua aplicação às pessoas idosas;
c) progresso no tratamento das doenças do coração”.
A SCML cumpre esta obrigação desde 1987 e, este ano, será mais uma vez cumprida a entrega do Prémio Nunes Corrêa Verdades Faria - apelidos da mulher do empresário, senhora “de temperamento afectuoso, generoso e sensível, particularmente atenta aos artistas, idosos e desprotegidos”.
Só que, este ano, só serão entregues prémios - cujo valor monetário está actualizado e é hoje de 5 mil euros – pelas duas últimas alíneas.
O anúncio da atribuição dos prémios, publicado hoje no Expresso, refere que “não foi atribuído prémio” previsto na alínea a) “o cuidado e carinho dispensado aos idosos desprotegidos”.
Isto espanta-me e gostava de saber porquê. Será que houve um cataclismo que matou especificamente em Portugal e em 2006 todas as pessoas que prestaram cuidados e carinho aos velhos desprotegidos?!
O habitual é vir a razão da não atribuição de prémios explicitada no próprio anúncio de jornal. Normalmente a razão indicada é o júri ter concluído que as candidaturas não preenchiam os requisitos de qualidade exigidos.
O regulamento do prémio nada diz sobre motivos possíveis da não atribuição. Ora, não tornando públicos esses motivos no momento em que torna públicos os nomes dos outros galardoados, o júri sujeita-se às seguintes considerações:
Fico espantada que o júri escolhido pela SCML entre personalidades de “reconhecido mérito no âmbito da segurança social e da saúde, preferencialmente no domínio da gerontologia e da cardiologia” não tenha conseguido encontrar em 2006 uma única pessoa ou instituição, que, na Nação, como queria o benemérito Enrique Mantero Belard, tenha, pelo seu “esforço, trabalho ou estudos”, contribuído para “o cuidado e carinho aos velhos desprotegidos”.
Porque é isso que a mensagem do anúncio significa em última instância e é isso que é chocante. Que a SCML entenda como algo normal dizer que não houve quem tenha prestado cuidados e carinho aos velhos em Portugal. Eu perceberia que não tivesse sido atribuído o prémio pelo “progresso da medicina na sua aplicação às pessoas idosas”, por exemplo. Haveria imensas razões que poderiam justificar a falta de investigadores nessas áreas em Portugal...
Mas por favor! Que uma instituição que se chama de Misericórdia diga que não encontrou no país alguém que se tenha esforçado a fazer aquilo que ela diz que faz há 508 anos, é bastante engraçado…
Felizmente, o júri escolhido pela Santa Casa da Misericórdia enganou-se redondamente. Haveria muitas pessoas e muitas instituições no país a quem entregar a distinção.
Eu voto nos muitos anónimos que, não sendo personalidades mas apenas pessoas, dão voluntariamente horas dos seus dias a “cuidar e a dar carinho” aos velhos dos outros.
“…atribuir anualmente três prémios monetários, de montante de cincoenta mil escudos (Esc. 50.000$00) cada, às 3 pessoas que, na Nação e na opinião de júri criteriosamente escolhido, mais tenham contribuído, pelo seu esforço, trabalho ou estudos, para:
a) o cuidado e carinho dos velhos desprotegidos;
b) o progresso da medicina na sua aplicação às pessoas idosas;
c) progresso no tratamento das doenças do coração”.
A SCML cumpre esta obrigação desde 1987 e, este ano, será mais uma vez cumprida a entrega do Prémio Nunes Corrêa Verdades Faria - apelidos da mulher do empresário, senhora “de temperamento afectuoso, generoso e sensível, particularmente atenta aos artistas, idosos e desprotegidos”.
Só que, este ano, só serão entregues prémios - cujo valor monetário está actualizado e é hoje de 5 mil euros – pelas duas últimas alíneas.
O anúncio da atribuição dos prémios, publicado hoje no Expresso, refere que “não foi atribuído prémio” previsto na alínea a) “o cuidado e carinho dispensado aos idosos desprotegidos”.
Isto espanta-me e gostava de saber porquê. Será que houve um cataclismo que matou especificamente em Portugal e em 2006 todas as pessoas que prestaram cuidados e carinho aos velhos desprotegidos?!
O habitual é vir a razão da não atribuição de prémios explicitada no próprio anúncio de jornal. Normalmente a razão indicada é o júri ter concluído que as candidaturas não preenchiam os requisitos de qualidade exigidos.
O regulamento do prémio nada diz sobre motivos possíveis da não atribuição. Ora, não tornando públicos esses motivos no momento em que torna públicos os nomes dos outros galardoados, o júri sujeita-se às seguintes considerações:
Fico espantada que o júri escolhido pela SCML entre personalidades de “reconhecido mérito no âmbito da segurança social e da saúde, preferencialmente no domínio da gerontologia e da cardiologia” não tenha conseguido encontrar em 2006 uma única pessoa ou instituição, que, na Nação, como queria o benemérito Enrique Mantero Belard, tenha, pelo seu “esforço, trabalho ou estudos”, contribuído para “o cuidado e carinho aos velhos desprotegidos”.
Porque é isso que a mensagem do anúncio significa em última instância e é isso que é chocante. Que a SCML entenda como algo normal dizer que não houve quem tenha prestado cuidados e carinho aos velhos em Portugal. Eu perceberia que não tivesse sido atribuído o prémio pelo “progresso da medicina na sua aplicação às pessoas idosas”, por exemplo. Haveria imensas razões que poderiam justificar a falta de investigadores nessas áreas em Portugal...
Mas por favor! Que uma instituição que se chama de Misericórdia diga que não encontrou no país alguém que se tenha esforçado a fazer aquilo que ela diz que faz há 508 anos, é bastante engraçado…
Felizmente, o júri escolhido pela Santa Casa da Misericórdia enganou-se redondamente. Haveria muitas pessoas e muitas instituições no país a quem entregar a distinção.
Eu voto nos muitos anónimos que, não sendo personalidades mas apenas pessoas, dão voluntariamente horas dos seus dias a “cuidar e a dar carinho” aos velhos dos outros.
11 de maio de 2007
8 de maio de 2007
"Come cenouras, que faz os olhos bonitos"...

- Os nabos são bons, dona Lurdes?, pergunta a velha dos olhos bonitos.
- Ainda ninguém se queixou, responde a merceeira, cansada…
- É o que eu como, nabos e cenouras, tem que ser bons, diz a velha dos olhos bonitos, com um tom azedo e rezingão.
- Não é por comer ramburgas (penso que ela queria dizer hambúrgueres) que eu tenho estes olhos, continua a velha, mudando o tom para o estilo gaiteiro, quando viu o homem entrar na mercearia.
O homem percebeu a deixa e até inchou. A velha dos olhos bonitos podia ser mãe dele, mas depois dos sessenta anos, deve ser indiferente ter 70 ou 80, pensei eu…
- E tem, e tem! Uns olhos bonitos como certas alentejanas têm, ou enganei-me?, respondeu o velhote, de repente mais alto, mais ufano, sorriso malandro, sacudindo com primor e olhar apurado a terra de umas cebolas, antes de as pôr no saco.
- E sou… de Garvão, atalhou a velha, levando a mão ora ao cabelo ora ao peito, toda risinhos…
E eu, abismada, pensei que, se aos 80 anos, esta velha resmungona, comedora de nabos e cenouras, ainda cora, realmente deve ser mesmo verdade que enquanto há vida há esperança.
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Contas e contos de mercearia,
velhos
no tempo dos gira-discos


amanhã inaugura aqui uma exposição de vinis sobre duas décadas de música portuguesa.
vão lá estar expostos cerca de 200 dos mais importantes vinis editados entre 1960 e 1980.
encontrei na net as capas destes dois vinis que vão estar lá.
7 de maio de 2007
4 de maio de 2007
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